Dúvidas sobre condição de saúde de Mojtaba Khamenei estão se tornando cada vez mais delicadas, com Teerã enfrentando decisões cruciais em conflito que arruina a já frágil economia do país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma mulher caminha ao lado de uma faixa com uma imagem do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, em uma rua de Teerã, Irã, em 13 de agosto de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Seis meses após os ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel que deram início à guerra e levaram um Mojtaba Khamenei gravemente ferido ao cargo de líder supremo do Irã, ele continua sem ser visto ou ouvido pelos iranianos — um vazio no centro da liderança de seu país. As dúvidas sobre sua condição e seu papel estão se tornando cada vez mais delicadas, com o Irã enfrentando decisões cruciais sobre uma guerra que incendiou o Oriente Médio enquanto arruinava a já frágil economia do país. Autoridades iranianas e outras fontes de alto escalão no país dizem que Khamenei continua no controle, governando das sombras por razões de segurança enquanto se recupera de ferimentos que o deixaram desfigurado e delega ampla autoridade cotidiana a um círculo de figuras de destaque. Mas, sem que nenhuma fotografia, vídeo ou mensagem de áudio tenha sido divulgada desde sua nomeação, uma semana após o início da guerra, os iranianos estão cada vez mais céticos quanto à sua posição em uma República Islâmica na qual a voz do líder deve ser absoluta. “A questão já não é se Mojtaba está vivo, mas se o Irã ainda tem um líder supremo atuante”, afirmou Alex Vatanka, do Middle East Institute, em Washington. As únicas mensagens de Khamenei ao povo iraniano foram transmitidas por meio de algumas declarações escritas lidas por apresentadores de noticiários. Ele sequer compareceu à extensa semana de cerimônias fúnebres de seu pai, no mês passado. Autoridades de alto escalão e outras fontes próximas ao poder atribuem a ausência de Khamenei ao temor de um assassinato e afirmam que ele realiza reuniões frequentes com importantes integrantes do governo, recebe todos os principais relatórios e toma a decisão final sobre todas as questões relevantes. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou em 10 de agosto que havia participado de uma reunião de sete horas com Khamenei. Mas até entre os apoiadores mais linha-dura da República Islâmica começam a surgir dúvidas. “Precisamos ouvir a voz do nosso líder ou ver algum sinal de que ele está lá no comando, liderando o país, para termos mais confiança”, afirmou um integrante da milícia voluntária Basij em Qom, cidade de seminários religiosos que está no centro do Estado teocrático iraniano. O integrante da Basij, que pediu anonimato para discutir um assunto tão delicado, disse acreditar que Khamenei ainda tomava as principais decisões, mas afirmou que a ausência até mesmo de uma fotografia prejudicava a moral e não era do interesse do Irã. Um manifestante pró-governo segura um cartaz com a imagem do líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, e uma bandeira iraniana durante uma manifestação em uma praça de Teerã, Irã, na quarta-feira, 26 de agosto de 2026 — Foto: AP Photo/Vahid Salemi Entre os iranianos que se opõem à hierarquia governante ou defendem reformas amplas, a mensagem é mais direta. “Como sabemos que Mojtaba não foi morto?”, questionou Shahrokh, empresário reformista de Teerã que também pediu anonimato. “Não é lógico que não exista um único sinal provando que ele está vivo, muito menos evidências de que participa das decisões”, acrescentou. Guarda Revolucionária é peça central na estrutura de poder O Irã atravessou seis meses de guerra contra seus inimigos mais poderosos e, embora bastante enfraquecido, continua de pé. Seu sistema político resistiu. Suas forças armadas mantêm a capacidade de restringir o fornecimento global de energia e atacar aliados dos EUA no Golfo. O establishment clerical mostrou ser capaz de absorver a perda de um líder supremo e de comandantes de alto escalão sem entrar em colapso, mantendo uma cadeia de comando política e militar fiel à sua ideologia teocrática. A economia iraniana, porém, está cedendo sob o peso do conflito e de um bloqueio de meses às exportações de petróleo, que derrubou o valor do rial e elevou o risco de retomada dos protestos em massa reprimidos pelas autoridades em janeiro com a morte de milhares de manifestantes. Enquanto isso, o establishment governante se reorganizou em torno de um objetivo claro: preservar o Estado, restabelecer sua capacidade de dissuasão e impedir que as consequências econômicas desestabilizem o país. A Guarda Revolucionária, há muito uma força poderosa no Irã, ampliou sua influência desde o início da guerra e continua no centro do pensamento estratégico da cúpula de um sistema de poder reorganizado em torno do Conselho Supremo de Segurança Nacional, segundo as fontes. Esse núcleo inclui os principais comandantes da Guarda Revolucionária, além de figuras políticas de alto escalão, como Pezeshkian e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf. Várias fontes de alto escalão ouvidas pela Reuters no Irã afirmaram que Khamenei de fato mantém reuniões com essas figuras, participa plenamente das discussões e dá a palavra final sobre todas as principais questões. Uma autoridade iraniana de alto escalão afirmou que apenas um pequeno número de autoridades mantém contato direto e presencial com Khamenei e que nenhuma informação sobre ele foi divulgada por receio de que detalhes vazados permitam aos EUA localizá-lo e atacá-lo. Sua saúde, enquanto isso, está melhorando significativamente, segundo uma pessoa próxima ao círculo de Khamenei, que o descreveu como lúcido e envolvido nas decisões. “Apesar de todas as pressões, os serviços à população não foram interrompidos. Nossa política externa segue uma linha unificada e nossas decisões são coerentes. Tudo isso mostra que o líder supremo está no comando”, afirmou uma segunda autoridade. Uma mulher caminha ao lado de uma faixa com a foto do novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, em Teerã, Irã, 8 de maio de 2026 — Foto: . Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Mesmo antes da guerra, Khamenei preferia atuar nos bastidores como principal assessor de seu pai, evitando a exposição pública. Nas primeiras horas de 28 de fevereiro, quando Israel e EUA iniciaram a guerra com ataques aéreos que mataram seu pai, ele sofreu ferimentos que desfiguraram seu rosto, de acordo com fontes de alto escalão. Agora, porém, elevado a um cargo visto como detentor de orientação divina e em meio à maior crise enfrentada pelo país desde a Revolução de 1979, essas justificativas parecem pouco convincentes. “Um acordo genuíno com Washington exige a aprovação inequívoca de Mojtaba, assim como qualquer decisão de sustentar um conflito longo e custoso com os Estados Unidos”, afirmou Vatanka. “Sua ausência prolongada criou uma situação perigosa, na qual facções rivais podem alegar saber o que o líder realmente quer”, acrescentou.
Líder supremo do Irã segue sem aparecer após seis meses de guerra
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