O argumento de que o Brasil precisa desenvolver o processamento local de minerais críticos, em vez de focar apenas a exportação, tem mérito, mas é preciso abordar o tema com mais profundidade.
Essa é a avaliação de Milson Mundim, executivo à frente da Appian Capital no Brasil, fundo britânico de investimento em empresas (private equity) que possui mineradoras na Bahia e em Minas Gerais. Para ele, é possível um país prosperar sem desenvolver as partes mais avançadas da cadeia produtiva da mineração.
"Existem dois países no mundo que são modelos de desenvolvimento sob qualquer ótica, a Austrália e o Canadá. São países mineradores, não estão preocupados em processar o produto da mineração. A Austrália, por exemplo, não produz uma caneta [sequer]. O downstream [processamento] não necessariamente é a parte de maior valor agregado da cadeia", diz.
Mundim cita como exemplo uma empresa da própria Appian no Brasil, a Atlantic Nickel, que produz níquel sulfetado no sul da Bahia.
A companhia atua só na parte de extração e no primeiro beneficiamento do mineral e, segundo ele, tem rentabilidade maior do que os clientes que compram esse níquel para processá-lo.












