A crescente demanda global por minerais abre uma oportunidade única para o Brasil transformar seu potencial minerário em crescimento econômico e social. Para acelerar essa vocação e posicionar o país como protagonista global do setor, a Vale apresentou a proposta “Destravando o potencial da mineração no Brasil”. Com base em estudo elaborado em parceria com a Accenture, a iniciativa aponta quatro áreas prioritárias para destravar a mineração no país, com potencial de chegar a R$ 1,3 trilhão em arrecadação e 5,3 milhões de empregos até 2035. O relatório foi divulgado em um evento realizado pela Editora Globo, com patrocínio da Vale, em Brasília, na última terça-feira, 18. De acordo com o documento, o Brasil está entre os líderes globais em reservas de diversos minerais, como nióbio, terras raras, grafita, ferro, manganês, estanho e níquel. — Esse é um estudo que oferecemos para pensar o Brasil. Com uma agenda propositiva, a mineração pode se tornar uma plataforma poderosa de compartilhamento de valor com geração de emprego e renda, crescimento econômico e proteção ambiental — declarou Gustavo Pimenta, CEO da Vale. O tamanho dessa importância para a economia nacional fica evidente nos números apresentados durante o evento: — Cerca de 50% do saldo da balança comercial brasileira vem da mineração. É um setor fundamental tanto do ponto de vista social e econômico quanto ambiental — avaliou Rodolfo Eschenbach, presidente da Accenture para Brasil e América Latina, que apresentou o estudo. Os dados mostram, ainda, que apenas 28% do território brasileiro já foi mapeado geologicamente em escala adequada para orientar decisões de investimento em pesquisa mineral, o que limita a identificação de novas fronteiras exploratórias no país. O levantamento projeta que, com uma agenda coordenada entre governo, setor privado e sociedade, a produção mineral anual do Brasil pode saltar de cerca de R$ 300 bilhões atualmente para até R$ 535 bilhões em 2035. — Com um enorme potencial mineral e comercial, esses resultados nos levam a refletir por que não estamos crescendo na velocidade que poderíamos. É um segmento que, além de gerar crescimento econômico, promove a melhoria na condição de vida dos brasileiros — completou o CEO da Vale. Com uma agenda propositiva, a mineração pode se tornar uma plataforma poderosa de compartilhamento de valor com geração de emprego e renda, crescimento econômico e proteção ambiental” Eixos de ação O relatório elencou quatro agendas prioritárias para alavancar o potencial da mineração nos próximos anos. A primeira trata dos licenciamentos e fundamentos, abordando conhecimento geológico, gestão de títulos minerários e previsibilidade no licenciamento. O segundo ponto engloba a cadeia mineral integrada (infraestrutura, disponibilidade de energia, processamento mineral e domínio tecnológico ao longo da cadeia). A terceira agenda debate o ambiente de negócios e a segurança institucional com aspectos regulatórios, institucionais, financeiros e tributários. Por fim, o valor compartilhado (geração de valor social e ambiental para as comunidades/ territórios). Os cálculos mostram que a expectativa de contribuição do setor em arrecadação fiscal, que na última década foi de R$ 750 bilhões, suba para R$ 1,3 trilhão no próximo ciclo, entre 2026 e 2035, ampliando o impacto social positivo e contribuindo para o equilíbrio das contas públicas. O montante, se convertido em investimento públicos, equivale à criação de 23,1 milhões de vagas em escola integral, 17,2 milhões de vagas em creches, 478 mil quilômetros de vias asfaltadas ou 870 mil leitos em hospitais. — O futuro da mineração não avançará se as grandes empresas nacionais não forem fortalecidas. É importante que sejamos exportadores de minério, mas que isso também se reverta em vantagem competitiva para agregarmos valor e avançarmos em um anel de industrialização — declarou Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Emprego e clima No cenário considerado pelo relatório, o impacto total do setor sobre o emprego, hoje em cerca de três milhões, pode contribuir para chegar a até 5,3 milhões de postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos no país no mesmo período. — A mineração é a resposta para uma transição imediata, onde sairemos de uma matriz de carbono para uma ideia de energia sustentável — observou Pablo Cesario, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Outra estimativa é que os minerais essenciais produzidos no Brasil para veículos elétricos, painéis solares e turbinas eólicas podem ajudar a evitar emissões entre 1,6 e 2 gigatoneladas de CO² equivalente por ano no mundo até 2050. — É preciso mudar a cultura que temos sobre mineração. E a Vale é nossa maior parceira nesse sentido — afirmou Anderson Barreto Arruda, secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral interino do Ministério de Minas e Energia. — Foto: Arte/GLab Parceria entre setores público e privado pode acelerar o setor Especialistas defendem mais segurança jurídica, investimentos em infraestrutura e cooperação para ampliar a competitividade Painel sobre infraestrutura contou com a participação do diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz; do diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio; e da diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa. Evento teve mediação da jornalista Leila Sterenberg — Foto: GLab/Sergio Dutti Modernizar e padronizar o licenciamento no setor e garantir segurança jurídica para a atração de investimentos são os primeiros passos para acelerar o protagonismo global do Brasil na mineração. A mudança cultural sobre sua percepção é urgente e passa por esforços entre governos e parceiros privados. Essa é a conclusão de lideranças que estiveram em Brasília para debater os principais gargalos e soluções para o impulsionamento competitivo da atividade. Para que a produção mineral possa passar dos atuais R$ 300 bilhões para até R$ 535 bilhões em 2035, de acordo com o estudo apresentado pela Vale, é preciso uma infraestrutura eficiente, como pontuou Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI). — Mais da metade dos investimentos em infraestrutura é feita pelo setor privado. E isso nos dá um desafio muito grande, pois não basta termos um bom solo se não temos a melhor tecnologia para extrair os minerais e escoá-los com eficiência — comentou. O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, apresentou um balanço da atuação da agência. Atualmente, já foram licitados 18 mil quilômetros de estradas, e o objetivo é chegar a 25 mil até o próximo ano. Sampaio citou, ainda, o Plano Nacional de Logística, que pretende investir R$ 1,2 trilhão até 2050 e deverá servir como referência para decisões de investimentos. Investimentos Para Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, as barreiras ideológicas já foram ultrapassadas quando o assunto é investimento público-privado em concessões de infraestrutura. Segundo ela, o volume de financiamentos em concessões rodoviárias saltou de uma média de R$ 2 bilhões, por ano, para R$ 25 bilhões, principalmente nos estados do Paraná, Minas Gerais e São Paulo. — O BNDES vem fazendo uma revolução silenciosa na infraestrutura. O Estado, por exemplo, passou a correr riscos juntamente com o setor privado. E esse é o papel do nosso banco: fomentar os parceiros em projetos competitivos — explicou.