Os registros comparam a mesma área em dois momentos (veja ACIMA). Nas imagens, o círculo vermelho destaca a área da encosta onde ocorreu o colapso, enquanto a marcação em azul indica o trecho onde os detritos se acumularam após a queda. O primeiro registro foi feito em 24 de agosto pelo Sentinel-2, um conjunto de satélites do programa europeu Copernicus usado para observar a superfície da Terra. O segundo, de 26 de agosto, foi captado pelo Landsat 9, um satélite de observação terrestre operado em parceria pela Nasa e pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), já depois do desastre. Na comparação, a encosta aparece bastante alterada. Uma extensa faixa antes coberta por gelo e rocha aparece, dois dias depois, profundamente alterada, com uma grande área exposta na encosta e detritos acumulados mais abaixo. A análise foi feita pelo cientista Robert Rohde, pesquisador da Berkeley Earth, organização independente de pesquisa científica dos Estados Unidos que trabalha com dados sobre clima e temperatura global. A partir das imagens de satélite, ele estimou que a área da encosta que teria cedido no colapso ocupava cerca de 1 km². Veja como ocorreu o degelo que gerou avalanche de lama no Nepal Rohde ressalta, porém, que esse número ainda é aproximado, porque é difícil distinguir com precisão, apenas pelos registros feitos do espaço, o que corresponde à parte da montanha que efetivamente desabou e o que são detritos espalhados depois da queda. “Minha estimativa se baseia em uma ferramenta para medir o tamanho da aparente cicatriz do deslizamento na montanha. Mas isso depende de decidir visualmente o que faz parte do próprio deslizamento e o que são detritos deixados por ele”, afirmou ao g1. Segundo Rohde, a margem de incerteza é ampla. Por isso, a área que cedeu pode ter entre 0,5 km² e 2 km², embora ele considere 1 km² a estimativa mais provável. Ele ressalta que uma avaliação feita diretamente no local permitiria delimitar melhor a área atingida. O desastre chegou a ser associado inicialmente a um terremoto, mas essa interpretação foi descartada depois. O Serviço Geológico dos Estados Unidos concluiu que o sinal sísmico registrado na região foi provocado pelo próprio colapso de gelo e rocha e pelo fluxo de detritos. Segundo autoridades nepalesas, o material que desceu da montanha bloqueou temporariamente um rio. Com o rompimento dessa barreira natural, uma grande quantidade de água, lama e pedras avançou pelos vales e atingiu comunidades mais abaixo. Até esta última quinta-feira (27), o desastre havia deixado centenas de mortos e mais de mil desaparecidos na região da fronteira entre o Nepal e o Tibete. Em nota divulgada no mesmo dia, o Observatório do Clima lamentou a tragédia e relacionou o episódio ao avanço das mudanças climáticas. Imagens de 24 e 26 de agosto mostram a área antes e depois do colapso da geleira no Nepal. — Foto: Copernicus/ESA Sentinel-2 e USGS/NASA Landsat 9, processadas pela EOS Data Analytics LEIA TAMBÉM: Avalanche no Nepal e Tibete: o que se sabe sobre a tragédia