Fábio Luís da Silva continua uma pedra no sapato da campanha à reeleição do pai. Além de dizer que o filho terá de pagar se tiver culpa por relações próximas demais com uma lobista, Lula salienta que o principal rival na eleição, Flávio Bolsonaro, foi protegido pelo governo do pai contra investigações. O escudo mais famoso apareceu no caso das “rachadinhas”, motivo de Jair Bolsonaro ter demitido o chefe da Polícia Federal em 2020. Há mais um caso no qual as autoridades deixaram Flávio em paz durante o mandato do capitão. Um inquérito da PF sobre ­falcatruas­ nos Correios esbarrou em citações a Flávio, em suspeitas de que ele havia colaborado com a turma do esquema e de que teria recebido – e gostado – de uma proposta de suborno de 1 milhão de reais. Mas nem o delegado que conduziu o inquérito no estado mais bolsonarista do Brasil, nem o procurador-geral da República indicado por Bolsonaro, nem um juiz nomeado pelo capitão para o Supremo Tribunal Federal acharam importante investigar o “zero um”. Uma juíza federal de Florianópolis nadou sozinha contra a maré… Em vão.

A história faz parte da Operação Postal OFF, levada adiante pela PF de Santa Catarina. CartaCapital teve acesso aos autos do processo, até agora inéditos. Em novembro de 2018, o serviço de inteligência catarinense dos Correios contou a agentes federais que um dirigente da estatal no estado, Marciano da Silva Oliveira, havia recebido oferta de propina de um grupo empresarial. Os corruptores propuseram que ele aderisse ao seguinte esquema: aceitar grandes volumes de correspondências e não cobrar a totalidade do envio, só uma parte. Um pedaço da diferença entre o volume real e aquele cobrado pelos Correios iria para o bolso da turma da maracutaia, um pessoal que agia como intermediário entre o dono das correspondências e a estatal. Oliveira tornou-se informante da PF e gravou às escondidas uma conversa com integrantes da bandalheira. Ao longo das apurações, a polícia descobriria que o prejuízo causado aos Correios foi de ao menos 94 milhões de reais e que o epicentro do golpe era o Rio de Janeiro.