Eleições 2026

A Faria Lima anda procurando um candidato para chamar de seu. Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem com frequência nesse radar por razões compreensíveis: têm experiência administrativa, defendem responsabilidade fiscal, falam a língua da gestão e procuram se apresentar como alternativa aos dois polos que dominam a política brasileira.

São credenciais que tranquilizam uma mesa de investidores. O problema é imaginar que elas produzam, automaticamente, identificação com o eleitor. Talvez a dificuldade comece justamente aí. A Faria Lima procura o candidato olhando para aquilo que considera importante para o País. O brasileiro que acorda cedo para trabalhar faz outra conta: quer saber se aquele sujeito entende alguma coisa da vida que ele leva.

O debate da Band e as entrevistas do JN ajudaram a mostrar isso. Quando a conversa era sobre gestão, gasto público ou eficiência, os candidatos estavam em terreno conhecido. Bastava a pergunta descer alguns andares – para o posto de saúde, a prestação da moto, a escola do filho ou o medo de voltar para casa – e aparecia a distância entre o candidato que tranquiliza o mercado e aquele reconhecido pelo eleitor.

Zema foi talvez o exemplo mais didático. Chegou com o receituário conhecido: cortar gastos, privatizar, reduzir o Estado. O brasileiro também se irrita com desperdício, imposto alto e serviço ruim. A dificuldade começa na pergunta seguinte: cortar onde? Quando a conversa chegou à Caixa, aos programas sociais, à saúde e à educação, o Estado de Zema começou a crescer. Depois de defender privatizações, reconheceu que não privatizaria a Caixa e chegou a descrevê-la como braço da assistência social.