0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Carteira de trabalho digital — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil O mercado de trabalho brasileiro está estruturalmente mais saudável. É o que os especialistas enxergam nos dados da Pnad Contínua, divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE, para além da menor taxa de desemprego da série histórica, de 5,3% no trimestre móvel encerrado em julho. Essa melhora tem relação com a maior formalização, diz Luís Otávio Leal, economista e sócio da G5 Partners, e também com fatores como educação e demografia, acrescenta Daniel Duque, pesquisador associado do FGV Ibre. — Temos trabalhadores mais experientes e mais qualificados, o que tende a reduzir o desemprego e aumentar a renda — explica Duque, que estuda economia da educação e mercado de trabalho na Norwegian School of Economics (NHH). O pesquisador chama atenção para o fato de que, apesar dos sucessivos recordes, o mercado de trabalho está desacelerando. Isso, no entanto, não significa que teremos pela frente movimentos bruscos, com altas significativas do desemprego, apesar da desaceleração da economia. — Estávamos acostumados com oscilações grandes no mercado de trabalho, e o que vemos agora são movimentos mais próximos dos observados em economias desenvolvidas — pontua Duque. Leal destaca que o crescimento do desemprego tende a ocorrer de forma mais lenta quanto maior for a formalização do mercado de trabalho: — Quanto mais emprego formal se tem, mais difícil é a decisão de demitir o funcionário, tanto pelo custo de fazê-lo quanto pela dificuldade de recontratá-lo. Quando temos um mercado de trabalho dominado pela informalidade, esses custos não existem e há uma maior rotatividade por parte das empresas. Como o mercado está aquecido, a rotatividade que se vê é entre os trabalhadores, e não entre os empregadores — ressalta o economista. O crescimento da renda, de 4,1%, apontado pela Pnad, mostra que o poder de barganha ainda está nas mãos dos trabalhadores, observa Duque. Estudioso do tema, ele chama atenção ainda para o fato de que a revolução digital trazida pelos aplicativos é uma das explicações para a queda da desocupação e do desalento, já que ficou mais simples conseguir uma atividade remunerada. Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, avalia que os sinais de perda de dinamismo do mercado de trabalho é mais um indicador que fortalece a visão de corte de 25 bps na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em setembro. Sara pondera que há algumas casas adicionando a probabilidade de um ciclo sem pausa ao longo de 2026.