Na sequência inicial do filme Fahrenheit 451 (1966), de François Truffaut, um carro do corpo de bombeiros é acionado e rapidamente toma as ruas. A câmera volta para um apartamento onde um homem, comendo uma maçã, recebe um telefonema falando para ele fugir. Ouvimos os sons da sirene do carro dos bombeiros enquanto ele veste um terno e sai às pressas. Após isso, os bombeiros invadem sua casa e começam a procurar por livros escondidos no imóvel. Vários são apreendidos e levados para uma mesa do lado de fora. Um membro do agrupamento pega um lança-chamas e queima tudo.

Essa cena me veio à mente assistindo a reportagens recentes sobre a apropriação em massa de livros para treinamento de Inteligências Artificiais. O curioso é que tanto no filme — uma adaptação da obra de Ray Bradbury — quanto na vida real, as consequências miradas são as mesmas: o controle da informação nas mãos de poucos e a manutenção de uma felicidade superficial.

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