Segunda-feira, 2 de abril de 2029, 15h37. Durante o recreio, na Escola Municipal Epaminondas D’Alembert, em Piracambaia do Oeste, o aluno Bruno Augusto, do 4º B (tarde), diz pro colega William Boucinhas, do 3º A (tarde), que seu primo Baiacu (9º D, manhã) consegue assoprar um feijão a 70 metros usando como zarabatana um canudinho de plástico. William Boucinhas duvida. Bruno Augusto insiste.

Depois da aula, no ponto de ônibus, William Boucinhas pega o celular e pergunta à IA se é possível atirar um feijão a 70 metros assoprando-o através de um canudinho. Em poucos segundos, a IA passa um pente-fino em todo o conhecimento acumulado ao longo dos últimos 6.000 anos.

Procura menções a feijões projetados por canudinhos na "Odisseia" de Homero e nas falas do Homer Simpson, na epopeia de Gilgamesh e na bula do Epocler, nos Pergaminhos do Mar Morto e no "Bamboleo" do Gipsy Kings, nos arquivos do Congresso americano e nas estatísticas sobre a pesca do côngrio chileno –só pra mencionar uma ínfima parte dos dados armazenados em 60 séculos. Não encontra patavinas.

A IA, sabe-se, é como o capitão Nascimento: "missão dada é missão cumprida", nem que tenha que meter saco plástico na cabeça da humanidade e ameaçá-la com cabo de vassoura. Na ausência de dados armazenados na rede mundial de computadores, resolve promover um experimento. Faz uma varredura em todos os objetos ou construções tubulares, em diferentes escalas, com as mesmas proporções de um canudinho.