O artista Ayrson Heráclito chegou a São Paulo para sua mostra na galeria Simões de Assis diretamente da Alemanha. Longe das salas de aula de graduação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, ele aproveita o ano de pós-doutorado para colocar de pé alguns projetos artísticos.
Na Haus der Kulturen der Welt, em Berlim, o projeto em questão era um banquete. Foi uma trabalheira para ele e para o marido, o chef e artista Joceval Santos, que cozinharam com o Ajeum, refeição com comida sagrada do candomblé, em mente. Eles moeram o feijão na mão e foram atrás de camarão em plena Berlim. No fim, entre cânticos de cura, todo mundo saiu da performance do início de agosto feliz e de barriga cheia.
A relação de Heráclito com a comida é longa, como bem mostra a nova exposição "Ayrson Heráclito: Ojú Inú", em cartaz na Simões de Assis até 12 de setembro. Ali, estão expostos alguns dos inventários de 2025 do artista baiano. As séries misturam fotos a objetos e formam sistemas de cura. Há, por exemplo, fotos de pipoca e ovos unidas a caixas de pólvora e de pemba –giz ovalado que se usa para traçar pontos e riscos em cerimônias do candomblé e da umbanda.
São objetos e alimentos com poder de transmutar o ambiente ordinário em espaço de magia, onde homens transitam junto aos orixás. A partir das performances e dos inventários, o público pode experimentar um pouco dessa mágica.







