Uma das melhores exposições em cartaz na cidade não tem patrocinador, não tem assessoria de imprensa, não tem texto de parede, não tem galeria e –pasmem– não tem luz elétrica. Trata-se de "Apocalipse", individual de Alex Flemming ocupando dois palacetes históricos arruinados na rua Roberto Simonsen, junto à praça da Sé.

A mostra marca a volta do artista a São Paulo depois de 34 anos vivendo em Berlim. Espalhadas por diferentes salas do imóvel em ruínas, 37 telas em grande formato funcionam como uma afirmação: por um lado, um anúncio de que caminhamos na direção do fim –moral, ambiental. Por outro, uma defesa premente da beleza, da fruição estética, da urgência, com uma influência direta da pintura alemã.

Obra da série 'Retratos Invisíveis' de Alex Flemming - Bernd Borchardt/Divulgação

"Eu sou um colorista e, para mim, a arte tem que ser linda, mesmo que fale sobre o fim do mundo. Eu dedico minhas séries a dois pintores alemães: o retratista Christian Schad (1894-1982) e ao [expressionista] Ludwig Meidner (1884-1966), que anteviu a Primeira Guerra Mundial. Vivemos um momento que lembra muito 1912", diz Flemming, que recebe pessoalmente os visitantes no espaço, ao longo de toda a duração da mostra.