Fora da casca brutalista da Arca, galpão que recebe nesta semana a feira SP-Arte Rotas, em São Paulo, o circuito artístico da cidade ferve. Galerias gigantes escalaram seus grandes astros, enquanto casas menores têm montagens ousadas para apresentar nomes que vão do conceitualismo mais cabeçudo aos delírios cromáticos mais vendáveis.

É uma demonstração de esforços que reflete, ao mesmo tempo, a força do mercado de arte da maior metrópole do país e um desespero de investir pesado para evitar o desastre que se anuncia com as eleições de outubro. O sinal de alerta está ligado —em tempos de troca de comando no país, colecionadores tendem a fechar a cara e a carteira.

VALE DOS GIGANTES Galerias mais fortes no cenário ostentam artilharia pesada. A Luisa Strina mostra, em paralelo, a italiana radicada no país Anna Maria Maiolino, vencedora do Leão de Ouro na Bienal de Veneza, e o chileno Alfredo Jaar, um dos astros da mostra italiana agora em cartaz. A Fortes D’Aloia & Gabriel enquadra, também em dupla, Efrain Almeida e Ernesto Neto, este último outro veterano de Veneza e outras tantas paradas —suas instalações de crochê fino e grosso serpenteiam pelas paredes dos espaços da casa na Barra Funda e nos Jardins. A Nara Roesler também aposta no tecido, com a americana Sheila Hicks no comando de sua galeria nos Jardins em paralelo a uma retrospectiva no Instituto Tomie Ohtake, que entra em cartaz nesta mesma semana.