É um Brasil torto, riscado de memória, quase um coração despedaçado. Os traços da artista Carmela Gross transformados num mapa de linhas de luzes neon serão uma espécie de novo cartão de visitas do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Sua escultura luminosa, na parede do novo restaurante da instituição, estará visível para quem passar diante da fachada a partir de setembro, quando o MAM reabrir ao público depois de dois anos fechado por causa das obras de restauro —e de todos os seus atrasos— na marquise do parque Ibirapuera.
De certa forma, a escultura reflete a reorganização interna do museu, um dos mais importantes do país. Enquanto as obras do lado de fora funcionam para devolver o esplendor a um dos desenhos mais emblemáticos da obra de Oscar Niemeyer, o museu debaixo da marquise se refez do zero. Foram mantidas as duas galerias de exposições, uma maior e outra menor, e a sala de vidro. Esse último espaço era onde antes ficava uma das célebres esculturas de aranha da francesa Louise Bourgeois, vendida pelo banco Itaú, detentor do espaço, num dos episódios mais lamentáveis da história dos museus do país.
Lamentos à parte, o MAM renasce agora com nova iluminação, um auditório ampliado, acessível direto da entrada sem o desnível do passado, que obrigava a subir alguns degraus para entrar na sala, e a mudança da bilheteria para o lado de fora da marquise, ampliando o espaço interno de recepção do público.










