Não é o melhor dos mundos. O cardápio de quase verão na Suíça, onde colecionadores e a plebe nesta época do ano se juntam para mergulhar nas águas do Reno, o rio que corta Basileia, sempre traz no alto ostras e champanhe, mas o frescor pode vir de uma Coca-Cola com mensagens subliminares. No meio de trabalhos de milhões de dólares, uma das edições da série de garrafas subversivas do refrigerante americano, obra-prima de Cildo Meireles feita no auge da ditadura brasileira, estará à venda no maior rendez-vous do mercado de arte do planeta, que abre as portas nesta semana no país europeu.
Seus cascos da série "Inserções em Circuitos Ideológicos", hoje um ícone da contracultura e da resistência ao autoritarismo à brasileira, vão à feira Art Basel com a tal mensagem na garrafa, um libelo mercadológico, é claro, contra um mundo dilacerado. O artista ensina, passo a passo, em letras brancas contra o fundo escuro da Coca-Cola, como fazer um coquetel molotov, ou como explodir a ordem imposta do alto, o velho tudo isso que está aí, ou não. O kit de três garrafinhas, hoje com um apelo turbinado pelo mundo em chamas de Donald Trump, pode ser seu por US$ 80 mil, ou cerca de R$ 405 mil, na paulistana Gomide&Co.











