A descentralização na geração só cresce no setor elétrico brasileiro. A micro e minigeração distribuída (MMGD), sobretudo os painéis solares nos telhados, já ultrapassou 50 GW (gigawatts), em um sistema com capacidade instalada de cerca de 260 GW. Isso sem contar as instalações à revelia: o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estimou, em nota técnica, uma capacidade adicional não registrada de até 14,6 GW em 2025.
Para garantir a operação segura do sistema, sucessivos remédios têm sido adotados. No último fim de semana, o ONS voltou a acionar o esquema emergencial de corte de usinas conectadas à rede de distribuição, as chamadas usinas de GD tipo 3. O mecanismo havia estreado no feriado de Corpus Christi. Mas, como o problema não diminui, o paliativo já vai ganhar um upgrade —o ERAG (Esquema Regional de Alívio de Geração). E não vai parar por aí.
O ONS anunciou a nova medida, a ser testada ainda este ano: em situações extremas de excesso de energia, cortar automática e escalonadamente a geração solar remota –as fazendas solares. A aposta é que o respaldo legal existe, inspirado no Esquema Regional de Alívio de Cargas, o ERAC.
Muita gente não sabe, mas, em algumas circunstâncias, o Operador precisa desligar cargas —desconectar demanda— para garantir a estabilidade do sistema diante de eventos não previstos. A medida segue critérios estabelecidos com as distribuidoras, preservando cargas essenciais, como hospitais. Ainda que indigesta para muitos —sobretudo para quem fica sem fornecimento—, ela protege o que é prioritário. Seu primo, o novo ERAG, permitirá tratamento quase simétrico para a geração.













