Presidenciável do partido Missão defendeu bomba atômica e radicalizou em propostas na segurança 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Renan Santos (Missão) em entrevista à TV Globo: ele foi o terceiro convidado na série com presidenciáveis, que já contou com Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) — Foto: Manoella Mello/TV Globo No terceiro dia de entrevistas dos presidenciáveis à TV Globo, nesta quarta-feira, o candidato Renan Santos (Missão) dobrou a aposta no discurso antissistema e defendeu medidas controversas — e inconstitucionais — de sua plataforma de campanha. Renan buscou radicalizar em propostas na área de segurança, apontada em pesquisas como a maior preocupação dos brasileiros, e de defesa, com promessas de desenvolver uma bomba atômica e de suspender determinadas garantias legais no combate a membros de facções criminosas. Veja a seguir os principais pontos da entrevista: 1- "Estado de exceção" na segurança Questionado sobre declarações como a de fazer um “banho de sangue” contra facções e de decretar “sucessivos estados de Defesa” no país, Renan afirmou que mudará o arcabouço legal para “declarar guerra” contra facções. O candidato do Missão comparou medidas como o julgamento coletivo de membros de facções, algo sem previsão legal no país, ao Tribunal de Nuremberg, que responsabilizou lideranças da Alemanha nazista. Ele também minimizou relatos de torturas e desaparecimentos de presos no regime de Nayib Bukele em El Salvador, no qual disse se inspirar. — A ideia de enfrentamento usando um regime especial, aqui o estado de Defesa, eu vou adotar. Vai ter regime de ex ceção para eu retomar a favela — disse o candidato. Renan sugeriu que mudanças na lei permitiriam julgamentos “mais rápidos” contra membros de facções, e projetou gastar R$ 6 bilhões para construir dez novos presídios federais. — As pessoas estão implorando para que a gente faça justiça contra esses demônios que estão matando gente inocente. (Banho de sangue) Pode não ser a palavra mais bonita (...), mas o povo brasileiro está pedindo uma guerra — alegou. 2- Arsenal nuclear Em outra proposta que extrapola a Constituição, que só permite atividade nuclear com fins pacíficos, o candidato do Missão afirmou que o Brasil precisará desenvolver uma bomba atômica “para ser uma nação séria”. Para isso, ele argumentou a favor da retirada do país do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, medida adotada pela Coreia do Norte. Segundo Renan, isso faria o país “deixar de ser o eterno Zé Carioca” na arena internacional e seria um passo “não para arrumar briga”, mas sim para “ter força política perante outras nações”. 3- Crítica ao STF Ao comentar a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), também alvo de outros presidenciáveis, o candidato do Missão acusou ministros da Corte de não seguirem a Constituição, e reiterou que não cumprirá decisões que considerar “ilegais” do tribunal. Ele referiu-se a uma decisão recente do ministro Alexandre de Moraes, que acarretou na violação do sigilo de fonte de um jornalista do Maranhão. 4- Defesa de reformas econômicas Com atuação política que remete à organização de protestos pelo impeachment da presidente petista Dilma Rousseff, há uma década, Renan procurou criticar tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL). Em diferentes momentos, ele afirmou que seu plano de governo não foi escrito por “marqueteiros” como o de outros candidatos e, ao defender uma nova reforma da Previdência, chamou de “estelionatários eleitorais” os concorrentes que ignoram a medida. — São dois projetos de poder, do Lula e do Flávio Bolsonaro, que não valem nada. Eles rifaram o nosso futuro — afirmou Renan. Na seara econômica, além de uma nova reforma da Previdência, o candidato do Missão defendeu a desvinculação de despesas em saúde e educação, que hoje seguem percentuais pré-determinados mínimos a partir da receita anual do governo. Renan argumentou, ao defender a medida, que não é “populista fiscal”. 5- Pouco espaço a mulheres Embora tenha se mostrado favorável a intervenções federais nos estados sob pretexto de combater o crime, Renan justificou a ausência de propostas de combate a feminicídio em seu plano de governo argumentando que esta seria uma atribuição de estados e municípios. Ele também argumentou que dá atenção ao tema, citando que sua irmã "quase foi vítima de feminicídio na França". Durante a entrevista, ao ser questionado sobre a fatia de apenas 8% de presença feminina entre os filiados a seu partido, Renan alegou haver "perseguição" e "violência política de gênero" praticada por militantes de esquerda, e que isso deixaria as mulheres com medo de se juntar ao Missão. 6- Declarações de aliados Renan também buscou se esquivar de declarações de aliados com teor machista e contrárias ao voto dos mais pobres. O candidato do Missão adotou a postura de repreendê-los, mas de defender a atuação deles. Questionado sobre áudios vazados do ex-deputado Arthur do Val, outra liderança da sigla, nos quais afirmava que mulheres ucranianas “são fáceis porque são pobres”. As declarações ocorreram durante uma viagem de Do Val à Ucrânia em meio à guerra contra a Rússia, na qual Renan também participou. O presidenciável afirmou que o áudio “não foi adequado” e que “gostaria de ter evitado” o episódio, mas também argumentou que Do Val havia compartilhado a mensagem “em ambiente privado” e que já “sofreu as consequências políticas” pelo ato. Em outro momento, instado a explicar a declaração de outra liderança do Missão, Orlando Lima, de que beneficiários de programas sociais não deveriam ter direito a votar, Renan afirmou que “é a opinião dele” e a classificou como “infeliz”, mas chamou o aliado de “brilhante”.
De medidas inconstitucionais à defesa de reformas: veja em seis pontos como foi a entrevista de Renan Santos à TV Globo
Presidenciável do partido Missão defendeu bomba atômica e radicalizou em propostas na segurança














