Filtros digitais, imagens editadas e ferramentas de inteligência artificial estão mudando a forma como muitas pessoas enxergam o próprio corpo. A exposição frequente a rostos e corpos modificados digitalmente cria referências difíceis de alcançar na vida real e aumenta a discussão sobre como a comparação influencia a autoestima e as decisões relacionadas a procedimentos estéticos.
Marco Dallegrave, médico, cirurgião plástico, pós-graduado em Psiquiatria e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, explica que a avaliação de uma cirurgia não deve considerar apenas a característica física que incomoda, mas também a origem desse desejo.
“Hoje a comparação não acontece apenas com outras pessoas, mas com imagens escolhidas, filtros, ângulos e edições. Quando uma referência digital passa a definir como alguém acredita que deveria ser, isso pode influenciar a forma como a pessoa enxerga o próprio corpo e as expectativas que leva para o consultório”, afirma Marco Dallegrave.
Comparação pode afetar a percepção corporal
A popularização dos filtros de beleza trouxe uma nova relação com a própria imagem. Recursos que alteram pele, nariz, olhos, mandíbula e proporções faciais passaram a fazer parte da rotina de milhões de usuários, enquanto ferramentas de inteligência artificial conseguem criar versões ainda mais próximas de uma aparência idealizada.







