A estética, marcada pela cintura fina e pelo contraste com quadris e glúteos volumosos, também impulsiona o interesse por procedimentos como a Lipo HD e levanta discussões sobre os limites dos padrões de beleza 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 'Cinturinha de Barbie': nova obsessão das redes sociais reacende debate sobre padrões de beleza — Foto: Magnific A volta da chamada "cinturinha de Barbie" nas redes sociais recoloca em cena uma silhueta que há décadas aparece, com diferentes nomes e roupagens, como ideal de beleza: cintura estreita, quadris marcados e glúteos volumosos. A estética, que ganha novas versões a cada tendência digital, também influencia a maneira como muitas mulheres enxergam o próprio corpo e pode aumentar a procura por procedimentos capazes de alterar o contorno corporal. Entre as técnicas associadas a esse objetivo está a lipoaspiração de alta definição, conhecida como Lipo HD. O procedimento, no entanto, não significa necessariamente criar uma cintura extremamente fina ou um abdômen com músculos muito aparentes. De acordo com o cirurgião plástico Gabriel Andrey Ricci, a abordagem passou por mudanças e hoje busca resultados mais proporcionais à anatomia de cada paciente. "A Lipo HD deixou de estar associada exclusivamente à criação de um corpo extremamente definido. Atualmente, buscamos utilizar a técnica para valorizar a anatomia de cada paciente, respeitando suas proporções e características individuais. O objetivo não é reproduzir um padrão visto nas redes sociais, mas construir um contorno corporal harmônico e compatível com aquele corpo", explica. A cirurgia consegue deixar a cintura mais fina? A retirada de gordura localizada pode modificar o contorno do corpo e tornar mais marcada a passagem entre determinadas regiões. Isso não significa, porém, que qualquer pessoa possa alcançar a mesma silhueta. O resultado depende de características que vão muito além do volume de gordura acumulado na cintura. "A largura da cintura não depende apenas da quantidade de gordura presente na região. Estrutura óssea, formato do tronco, musculatura, distribuição de gordura e qualidade da pele também interferem diretamente no resultado. Por isso, não é possível prometer uma cintura extremamente fina para todas as pessoas. Existe um limite anatômico e cirúrgico que precisa ser respeitado para preservar a segurança e a proporção corporal", esclarece. Lipo HD não significa abdômen superdefinido O próprio nome do procedimento pode levar à impressão de que o resultado precisa ser marcado ou atlético. Na prática, a intensidade da definição pode variar de acordo com o corpo e com o resultado pretendido. "A alta definição pode ser bastante sutil. Em muitos casos, pequenas marcações são suficientes para destacar a musculatura e melhorar o contorno sem criar um aspecto artificial. Um resultado excessivamente marcado pode não combinar com o biotipo da paciente e acabar comprometendo a harmonia corporal. O planejamento precisa considerar o conjunto e não apenas uma região isolada", afirma o cirurgião. 'Cinturinha de Barbie': por que a silhueta voltou a chamar atenção nas redes — Foto: Magnific Lipoaspiração não é tratamento para emagrecer Outro ponto que costuma gerar confusão é a finalidade da cirurgia. A lipoaspiração é voltada para a remoção de gordura localizada e a remodelação de determinadas áreas, não para a perda de peso. "A Lipo HD não é uma cirurgia para emagrecer. Ela atua sobre depósitos específicos de gordura e pode melhorar determinadas proporções do corpo. Para preservar o resultado, é fundamental manter hábitos saudáveis, praticar atividade física e evitar grandes oscilações de peso. A cirurgia faz parte de um processo de cuidado corporal, mas não substitui alimentação equilibrada e exercícios", alerta o médico. O corpo da referência não é necessariamente o seu É justamente nesse ponto que as imagens que circulam nas plataformas digitais podem se tornar uma referência problemática. Uma fotografia de celebridade ou influenciadora não mostra apenas o corpo: iluminação, enquadramento, pose, edição e filtros também interferem na percepção da silhueta. "É muito importante que o paciente não use uma fotografia de outra pessoa como uma promessa de resultado. Cada corpo possui uma anatomia diferente e responde de maneira particular aos procedimentos. O planejamento deve partir da avaliação daquele paciente, considerando o que é possível alcançar com segurança e quais resultados combinam com suas proporções", ressalta Ricci. A busca agora é por resultados mais naturais? Para o especialista, a mudança na própria cirurgia plástica acompanha uma transformação na maneira como a beleza é percebida. Em vez de reproduzir uma silhueta específica, a proposta é adaptar o procedimento às características de cada pessoa. "O conceito atual de beleza está muito mais relacionado à individualidade. Não existe uma cintura perfeita que possa ser reproduzida em todas as pacientes. O papel da cirurgia plástica é melhorar o contorno e valorizar o que aquela pessoa já possui, sempre respeitando seus limites anatômicos. Naturalidade, equilíbrio e segurança devem estar acima de qualquer tendência passageira das redes sociais", conclui.
'Cinturinha de Barbie': por que a silhueta virou tendência nas redes sociais
A estética, marcada pela cintura fina e pelo contraste com quadris e glúteos volumosos, também impulsiona o interesse por procedimentos como a Lipo HD e levanta discussões sobre os limites dos padrões de beleza







