Homens transam num quadro de tons terrosos, mas a pintura de T. Venkanna não evoca prazer. É que, ao redor deles, paira uma atmosfera fantasmagórica, que inscreve sombras escuras sobre seus corpos. São camadas alternativas de pele, ora opacas, ora translúcidas, que rompem limites dessas figuras e reúnem genitais masculinos e femininos.
Noutra tela, essa de Shine Shivan, o desejo também cobra um preço sombrio. Afinal, dois seres de cabelos longos são totalmente apagados pelos cachos negros, que tomam a moldura de alto a baixo, e por nuvens pretas presas aos rostos. Só se vê o contorno das faces e as línguas que buscam uma à outra.
Apesar das caveiras, dos olhos arregalados e dos membros cor de sangue, em quadros e esculturas, nem tudo são trevas na mostra "Índia", que une artistas contemporâneos ao ver raízes culturais e espirituais do país asiático. Daí surgem, por exemplo, os trabalhos de Acharya Vyakul, que priorizam um tom mais lúdico ao reduzir a anatomia a manchas que parecem se dissolver.
Em cartaz no antigo Palácio dos Duques de Cadaval, na cidade de Évora, em Portugal, a exposição revê elos entre a biologia humana, as forças da natureza e o misticismo emanado por deuses ou mesmo por iconografias famosas.






