26/08/2026 05h01 Atualizado há 45 minutos
Administrar a dívida pública brasileira ficou mais complexo nos últimos 15 anos. A participação dos títulos atrelados à Selic, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), saltou de 22,78% da dívida no fim de 2015 para 49,32% em junho de 2026, elevando a exposição do estoque às variações dos juros, segundo levantamento da Necton Investimentos. A trajetória foi influenciada por sucessivos episódios de deterioração fiscal e diferentes ciclos de inflação e de condução da taxa básica de juros pelo Banco Central (BC).
Os números do levantamento mostram que, mesmo nos períodos em que a desinflação permitiu a redução da Selic, o avanço pós-fixados não foi revertido de forma duradoura. Além da conjuntura econômica, mudanças regulatórias e tributárias alteraram a demanda dos investidores e intensificaram a disputa pela baixa poupança doméstica nos últimos anos.
Nesse cenário, segundo a Necton, o Tesouro revisou o Plano Anual de Financiamento (PAF) sete vezes desde 2010. O órgão fará uma oitava alteração, que será anunciada nesta quarta-feira, conforme antecipado no mês passado pelo órgão, para ampliar o espaço para LFTs. Com isso, ele afasta ainda mais a dívida da composição considerada ótima no médio prazo, diz o Fernando Ferez, estrategista de renda fixa da Necton.








