Os recentes debates do setor elétrico brasileiro deixaram uma mensagem clara: a abertura do mercado livre avançou no plano regulatório e agora precisa se consolidar como uma realidade operacional segura, eficiente e compreensível para o consumidor.
O país soma mais de 84 mil unidades no Ambiente de Contratação Livre, responsável por 41% da eletricidade consumida no Brasil, segundo a Abraceel (Associação Brasileira de Comercializadores de Energia). O crescimento em escala está desenhado. O desafio agora é garantir liquidez, previsibilidade e confiança na operação.
Essa agenda ganha urgência diante da abertura total do mercado para consumidores de baixa tensão até novembro de 2028. Para além de ampliar a carteira de clientes, precisamos preparar o mercado para atender milhões de novos consumidores de energia.
A experiência com o varejo de alta e média tensão já oferece aprendizados. Desde a liberação do acesso ao grupo, o número de unidades consumidoras varejistas saltou de 4.400 para mais de 39 mil em pouco mais de dois anos —uma expansão acumulada de 800%. O dado da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) retrata uma demanda por liberdade de escolha e a necessidade de o mercado se preparar para uma escala ainda maior. As empresas ganharam experiência em digitalização, automação, gestão da conta e redução do custo de aquisição. Contratos de milhões por mês deram lugar a algumas centenas de reais. O preço segue como a porta de entrada aos novos consumidores, mas a permanência dependerá de confiança, tecnologia, serviços agregados, educação e clareza.








