Candidato ao Palácio do Planalto pelo PSD foi entrevistado pela TV Globo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado é entrevistado pela TV Globo — Foto: Globo/Manoella Mello O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, sinalizou em entrevista à TV Globo que não pretende alterar as regras atuais para reajuste do salário mínimo e das aposentadorias. O ex-governador de Goiás também reafirmou que, se eleito, vai encaminhar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para limitar as despesas públicas a uma correção pela inflação e mais 50% do crescimento do PIB do ano anterior. Ele ainda deu a entender que preservará as atuais regras para os pisos de gastos com saúde e educação. Questionado sobre onde pretende cortar despesas e qual seria o tamanho do ajuste fiscal necessário para conter o crescimento da dívida pública, Caiado não apresentou números nem detalhou medidas. Disse que pretende rever subvenções e incentivos fiscais, combater a corrupção, reduzir salários que considera excessivos e restringir emendas parlamentares a ações previstas no plano de governo. Comparou a situação das contas públicas à de um paciente atropelado que precisa ser examinado antes da definição do tratamento. Ao ser perguntado sobre a política para o salário mínimo e se haveria ganho real, afirmou que não pretende alterá-la. “Não vou mexer. Olha, o pobre coitado pegando salário mínimo, o pobre coitado que está vivendo de aposentadoria, deixa eles em paz, pelo amor de Deus”, disse o candidato. Segundo ele, o ajuste fiscal deve começar “na própria carne”, com o enfrentamento de salários que considera abusivos. Caiado também reafirmou que enviará ao Congresso, no início do governo, uma proposta de anistia “ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro e na tentativa de ruptura institucional, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para justificar a medida, voltou a afirmar, erroneamente, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sido “anistiado” pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As condenações de Lula foram anuladas pelo STF, e não houve qualquer tipo de anistia. Confrontado com depoimentos de militares sobre as articulações golpistas e com o plano que previa o assassinato de Lula, Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, do STF, Caiado comparou os episódios às tentativas de golpe enfrentadas por Juscelino Kubitschek. Argumentou que JK concedeu anistia e procurou minimizar a relevância de retomar esses episódios, desviando parte das respostas para os casos de corrupção revelados durante os governos petistas. Na segurança pública, voltou a defender a criação de uma polícia sul-americana para combater narcotráfico, lavagem de dinheiro e tráfico de armas. Caiado afirmou que a articulação seria facilitada porque os demais governos dos países que fazem fronteira com o Brasil são de centro-direita e disse que o Brasil é o principal foco de resistência regional no combate ao narcotráfico. O candidato, porém, se confundiu ao explicar o funcionamento da nova força. Caiado citou a Europol como modelo e afirmou que policiais europeus poderiam realizar prisões em outros países. Ao ser corrigido pelos entrevistadores, que lembraram que a Europol atua principalmente na cooperação e troca de informações entre autoridades nacionais, disse que, se necessário, negociaria com os países vizinhos para que a nova polícia tivesse poder de efetuar prisões além das fronteiras. Caiado também foi questionado sobre governabilidade diante da dificuldade de reunir o próprio PSD em torno de sua candidatura — apenas quatro dos 13 candidatos do partido aos governos estaduais declararam apoio a ele. Em vez de explicar como formaria maioria no Congresso para aprovar reformas e emendas constitucionais, atribuiu a fragmentação partidária à estratégia do governo Lula de “cooptar” legendas e lembrou que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, decidiu não intervir nos diretórios estaduais. Caiado afirmou ainda que chegará ao segundo turno e derrotará Lula. Por várias oportunidades, o candidato do PSD demonstrou irritação quando era instado a dar detalhes de suas propostas. Recorreu a analogias do universo da medicina e não respondeu aos questionamentos dos entrevistadores.