Presidenciável do PSD recorreu a casos de corrupção na tentativa de se contrapor a petista e se apresentar como alternativa ao filho de Bolsonaro na corrida presidencial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ronaldo Caiado em entrevista à TV Globo: presidenciável foi o segundo entrevistado na série, iniciada com Romeu Zema (Novo) na segunda-feira — Foto: TV Globo/Manoella Mello No segundo dia da série de entrevistas da TV Globo com os presidenciáveis, nesta terça-feira, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) procurou se apresentar ao eleitor antipetista como melhor antagonista contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual segundo colocado nas pesquisas. Caiado resgatou desde casos da Lava-Jato até críticas na área de segurança para atacar Lula. Em diferentes momentos, Caiado também recorreu ao contraponto a Lula para se esquivar de apresentar detalhes de suas propostas. Ele acenou ainda ao bolsonarismo e prometeu enviar um projeto de anistia para todos os condenados pela trama golpista do 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Veja a seguir os principais pontos da entrevista. 1- De 'agiota' a 'conivente' com crime Em suas tentativas de culpar Lula por problemas do país, Caiado referiu-se ao atual presidente como “agiota”, atribuindo a programas do governo federal o aumento do endividamento de brasileiros. Caiado também acusou Lula de ter “conivência” com a expansão de facções criminosas no país e de ter promovido, com o arcabouço fiscal, “uma grande farsa” sob pretexto de controle das contas públicas. Buscando se contrapor ao petista, o ex-governador prometeu, “no primeiro dia de governo”, apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para limitar a despesa anual do governo a 50% do Produto Interno Bruto (PIB), descontada a correção inflacionária. 2- Anistia à trama golpista O candidato do PSD também disse que enviará ao Congresso um projeto de anistia a todos os condenados pelo 8 de Janeiro, e acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de “anistiar” Lula ao anular condenações por corrupção. — Encaminharei, sim, ao Congresso um projeto para haver anistia ampla, geral e irrestrita, da mesma maneira que o Supremo concedeu ao presidente Lula. Ele foi condenado em todas as instâncias, e de repente o Supremo diz que o foro não era o correto, e essa atitude o anistiou para que ele voltasse até a disputar eleição — disse Caiado. 3- Corrupção para atingir Lula e Flávio Questionado sobre sua proposta de corte de gastos, Caiado alegou que precisa “examinar o doente”, referindo-se às contas públicas, antes de entrar em detalhes sobre como atingir sua meta, e redirecionou o foco para os dois candidatos que lideram as pesquisas. — Você acha que Lula ou Flávio vão construir algum tipo de maioria para aprovar alguma emenda constitucional? Esses dois não respondem nada. É o tipo de homem que não serve para governar, só faz populismo, negociata e fica protegendo familiar — criticou. O ex-governador de Goiás também procurou se vincular à bandeira anticorrupção, e chegou a pedir ao STF para “retirar o sigilo” de investigações sobre desvios no INSS e sobre o Banco Master, que já atingiram pessoas próximas a Lula e a Flávio Bolsonaro. Nessa seara, apesar de alfinetar o candidato do PL, Caiado voltou a colocar Lula como seu principal alvo, associando o petista a “bilhões de reais em desvios” na Lava-Jato que, na avaliação do presidenciável do PSD, “não deixaram as pessoas terem saúde, educação, segurança pública”. 4- 'Resort' do crime Na segurança, Caiado mostrou dificuldades para explicar a proposta de uma força policial integrada entre países da América do Sul, que consta entre seus compromissos de campanha. Ele afirmou que a ideia é inspirada na Europol, agência de cooperação policial da União Europeia. Ao ser confrontado pelos entrevistadores com a limitação da Europol para efetuar prisões, Caiado alegou, de forma vaga, que iria “propor aos presidentes de países vizinhos que a prisão seja feita”. O candidato do PSD tampouco explicou como impediria um conflito de competências entre esta polícia multinacional e as Forças Armadas. Segundo Caiado, o fato de países vizinhos terem atualmente governos mais à direita já seria o suficiente para vencer possíveis resistências nacionais à sua proposta. — Todos os nossos países vizinhos já são (governos) da centro-direita, só falta o Caiado ganhar para concluir. Hoje o único nicho que tem para traficante na América do Sul é o Brasil, que é o grande resort do narcotráfico — alegou Caiado. 5- Propostas vagas Ao ser cobrado pela falta de detalhamento de propostas na área econômica e por não se posicionar sobre a necessidade ou não de mexer na idade mínima de aposentadorias para equilibrar as contas públicas, Caiado disse que terá “humildade” de consultar especialistas. — Não estamos aqui numa mesa examinadora. (...) Eu tenho que ter um plano. Você tem que me cobrar as metas, os parâmetros máximos que eu vou definir. Dentro daquilo, vão ser acomodadas as áreas do governo — argumentou. Antes de Caiado, a série de entrevistas da TV Globo com presidenciáveis foi aberta, anteontem, pelo ex-governador de Minas, Romeu Zema (Novo). Hoje será a vez do presidenciável Renan Santos (Missão), seguido nos próximos dias por Lula, Flávio e, fechando a série no sábado, Augusto Cury (Avante).