"Você tem de arcar com as consequências legais por cada crime que foi cometido usando sua identidade. Você entende?"
A frase faz parte do roteiro de um golpe que Pedro Alencar, 25, teve de seguir após se tornar vítima de tráfico humano no Camboja. O atendente de telemarketing, que já havia sido levado pelos criminosos ao Laos e às Filipinas, aterrissou no litoral cambojano para aplicar o que chamou de "o golpe mais pesado".
Enquanto nos primeiros destinos o trabalho forçado era associado a plataformas de cassinos, desta vez ele seria obrigado a fingir ser parte da Polícia Federal e envolver vítimas com uma história que só terminava quando uma transferência bancária fosse concluída. Caso se recusasse, corria o risco de ser espancado, levar choques e ficar sem comida.
Alencar, que prefere o nome pelo qual era conhecido nos complexos, foi um dos brasileiros traficados para o Sudeste Asiático com a promessa de remuneração alta e trabalho digno, mas que se viram envolvidos em uma rede de golpes digitais que simula, além da PF, órgãos públicos como as polícias civil e militar, o Ministério Público Federal, o Banco Central, o Tribunal de Contas da União, a Secretaria Nacional de Justiça e até empresas privadas, como a Meta.











