Sudeste Asiático se consolidou como um dos principais destinos de estrangeiros aliciados por falsas ofertas de emprego 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Polícia de Laos prende suspeitos de golpes virtuais — Foto: Reprodução laotiantimes RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 10:10 Megaoperação no Laos prende 26 brasileiros por golpes virtuais Uma megaoperação no Laos resultou na prisão de 122 pessoas, incluindo 26 brasileiros, acusados de integrar redes de golpes virtuais. A operação, realizada em sete casas no distrito de Sisattanak, é parte de um esforço contra o cibercrime no Sudeste Asiático. ONG sugere que muitos são vítimas de tráfico humano, atraídos por falsas promessas de emprego. O Itamaraty está em contato com as famílias dos brasileiros detidos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A polícia de Vientiane prendeu 122 pessoas — incluindo 26 brasileiros — durante ações coordenadas em sete casas no distrito de Sisattanak, na capital do Laos. A megaoperação integra um esforço nacional das autoridades para reprimir o cibercrime e redes de golpes virtuais, em meio ao avanço de "scam centers" no Sudeste Asiático e ao aliciamento de estrangeiros com promessas de emprego. Além de cidadãos do Brasil, entre os suspeitos havia pessoas de China, Malásia, Mianmar, Uruguai e Paquistão. De acordo com as autoridades do Laos, os imóveis revistados pelos agentes ficavam na vila de Buengkhayong e pertenciam a uma empresa chamada CAMCE Investment (Lao) Co Ltd. Em uma só casa, havia 34 chineses; em outra, eram 31 habitantes, incluindo os brasileiros. A ONG The Exodus Brasil trata os casos como tráfico humano. "Muitos brasileiros são aliciados com falsas promessas de emprego e acabam presos em redes de crimes transnacionais. A prevenção salva vidas", diz post compartilhado pela entidade no Instagram. Em nota, o Itamaraty não informou se os brasileiros são vítimas do crime, mas disse estar em contato com parentes dos detidos. "O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Bangkok, cumulativamente responsável pelo Laos, acompanha o caso, mantendo contato com as autoridades laosianas, e presta assistência consular às famílias dos brasileiros. O atendimento consular prestado pelo estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família. A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional", acrescentou o órgão. O jornal Laotian Times reportou que a megaoperação, realizada no último dia 11, foi a iniciativa mais recente de uma série de medidas do país para desmantelar "quadrilhas de golpes online, operações de jogos de azar ilegais e redes de fraude em telecomunicações". Em discurso na Assembleia Nacional no início de julho, o primeiro-ministro Sonexay Siphandone relatou que mais de 4.400 pessoas foram presas por suspeita de elo com crimes cibernéticos, golpes online e jogos de azar ilegais durante o primeiro semestre de 2026 — quase mil prisões foram registradas só em junho. Organizações da sociedade civil, incluindo a Anistia Internacional e o United States Institute of Peace (USIP), têm alertado para a expansão do crime organizado em Mianmar, Camboja e Laos, com a "industralização" de operações fraudulentas em complexos residenciais. O três países seriam o epicentro de tráfico de pessoas para atuar em rede. O Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas 2025, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, apontou que, no plano internacional, os casos de brasileiros se concentram principalmente no Camboja (44), onde a finalidade identificada é o tráfico para trabalho escravo em scam centers — descritos como "centros de fraudes digitais que submetem as vítimas a regimes de trabalho forçado para cometimento de delitos virtuais". Ainda segundo o documento, em 2024, as Filipinas figuravam como principal país de destino, seguidas pelo Laos; em 2025, ambos registraram participação marginal. O relatório aponta que a mudança poderia estar associada a operações realizadas no Sudeste Asiático entre 2024 e 2025, incluindo Mianmar, Laos, Filipinas e Malásia para desarticular essas organizações criminosas. Um dos principais desafios do combate ao crime, no entanto, é a subnotificação. Suspeitas de tráfico humano Em março, O GLOBO mostrou que dois brasileiros, sendo um deles natural de São Paulo e outro do Mato Grosso, de 41 e 44 anos, foram vítimas de tráfico humano no Camboja após aceitarem falsas proposta de emprego, segundo relatos de familiares. Os homens estavam em um complexo controlado por criminosos sendo obrigados a trabalhar aplicando golpes virtuais, sob ameaça e violência. Uma vítima relatou que foi mantida em um centro de fraudes e submetida a jornadas de trabalho forçado de até 16 horas diárias para participar de esquemas de golpes online. Em uma ligação com a família, descreveu agressões físicas e punições com choques elétricos. Para deixar o local, os criminosos supostamente exigiam o pagamento de US$ 800 (o equivalente a cerca de R$ 4 mil, na cotação atual), valor que permitiria a devolução do passaporte. Casos como esse têm se tornado mais frequentes. Segundo o Itamaraty, o Sudeste Asiático se consolidou como um dos principais destinos de brasileiros aliciados por falsas ofertas de emprego, especialmente em áreas ligadas a tecnologia e telemarketing. Nesses esquemas, vítimas são recrutadas pelas redes sociais com promessas de altos salários e benefícios, mas acabam em centros controlados por organizações criminosas, onde são obrigadas a aplicar fraudes digitais. Essas estruturas, conhecidas como “fábricas de golpes”, operam em países como Camboja, Mianmar e Laos e estão frequentemente associadas ao tráfico humano e ao trabalho forçado. O governo brasileiro orienta que cidadãos desconfiem de propostas de emprego no exterior com ganhos elevados e contratação rápida, sobretudo quando intermediadas por contatos informais ou redes sociais. (Colaborou Camilla Alcântara)
Brasileiros são presos em megaoperação contra rede de golpes virtuais no Laos; ONG suspeita de tráfico humano
Sudeste Asiático se consolidou como um dos principais destinos de estrangeiros aliciados por falsas ofertas de emprego







