Segundo Organização Internacional para as Migrações, pessoas de mais de 80 países foram atraídas por meio das redes sociais e algumas sofreram abusos sexuais Monitores de computador são mantidos em mesas dentro de uma estação de trabalho em um complexo em O'Smach, que, segundo o exército tailandês, era usado para operações de golpes, na passagem de fronteira Chong Chom-O'Smach, após confrontos entre Tailândia e Camboja em dezembro de 2025, em Samraong, província de Oddar Meanchey , Camboja, 6 de março de 2026 — Foto: REUTERS/Chalinee Thirasupa A agência de migração das Nações Unidas alertou nesta terça-feira para um aumento expressivo no número de pessoas forçadas a trabalhar em centros de golpes online na Ásia, afirmando que pessoas de mais de 80 países foram atraídas por meio das redes sociais, e que algumas sofreram abusos sexuais. Grandes complexos voltados à aplicação de golpes, que empregam até 300 mil trabalhadores em Mianmar, Camboja e Laos, surgiram para operar esquemas de fraude online, muitas vezes contra pessoas idosas em países ocidentais, informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Uma parcela significativa desses trabalhadores, porém, também foi enganada, segundo a agência da ONU. A OIM descreveu anúncios falsos de emprego que oferecem contratos lucrativos para candidatos com bom domínio do inglês e ensino superior. Depois de serem atraídas, as vítimas têm seus documentos confiscados e são obrigadas a participar de operações de fraude online sob ameaças e violência, afirmou a OIM. Muitas enfrentam estigma, endividamento e traumas decorrentes de abusos sexuais ou de períodos em confinamento solitário, disse Amy Pope, diretora-geral da organização. "As pessoas presas nesses complexos de golpes são vítimas de tráfico humano, forçadas a cometer crimes por meio de violência, ameaças e coerção", afirmou Pope, que anteriormente atuou como promotora em casos de tráfico de pessoas. "Precisamos trabalhar juntos para apoiar os sobreviventes, combater os traficantes e fechar as brechas exploradas por essas redes criminosas", acrescentou. A OIM estima que o número de pessoas traficadas para esses centros seja de dezenas de milhares. Pope disse a jornalistas em Genebra que a organização já ajudou vítimas de cerca de 30 países recrutadas sob falsos pretextos. "As principais redes estão sediadas na Ásia, mas, por causa das redes sociais e da capacidade de alcançar pessoas em muitos países, seu alcance se expandiu de forma bastante significativa", afirmou, estimando que pessoas de mais de 80 países tenham sido traficadas. Mesmo quando conseguem fugir ou são libertadas em operações conduzidas por governos, essas pessoas às vezes passam a enfrentar ameaças de processos criminais, disse Pope. Ela elogiou governos como o da Tailândia por intensificarem os esforços para identificar esses centros, mas afirmou que ainda é preciso fazer mais para localizar instalações que operam em áreas remotas da Ásia, onde a atuação das forças de segurança é limitada. Monitores de computador e caixas armazenados dentro de um complexo em O'Smach, que o exército tailandês afirmou ser usado para operações de golpes, na passagem de fronteira de Chong Chom-O'Smach, após confrontos entre a Tailândia e o Camboja em dezembro de 2025, em Samraong, província de Oddar Meanchey , Camboja, 6 de março de 2026 — Foto: REUTERS/Chalinee Thirasupa "A OIM pede a continuidade do apoio às vítimas de tráfico por meio de medidas de proteção, retorno seguro e reintegração, ao mesmo tempo em que amplia os esforços para conscientizar a população sobre as táticas usadas pelos traficantes, para que as pessoas possam reconhecer os riscos e saibam onde buscar ajuda", afirmou a organização em comunicado.