O economista Samuel Pessôa, do FGV Ibre, critica o governo de Jair Bolsonaro por perder a chance de avançar em áreas econômicas e educacionais, destacando a falta de uso da ciência política. Em debate no Estadão, ele questiona se Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, aprendeu com os erros do pai. Pessôa e Eduardo Giannetti apontam falhas na gestão ambiental e tributária, mas reconhecem a recuperação econômica sob Paulo Guedes. A relação entre Executivo e Legislativo é vista como crucial para um possível governo de Flávio.Ao tentar reinventar a política, no que chamava de nova política, o governo de Jair Bolsonaro acabou se configurando numa oportunidade perdida pela direita para fazer o Brasil avançar em questões econômicas, institucionais e em educação, defende o economista Samuel Pessôa, pesquisador do FGV Ibre. A questão agora é se o seu filho, candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o seu grupo político, aprenderam com os erros do ex-presidente, que estariam principalmente em “não ter governado usando o livro-texto da ciência política”.“Eu adoraria que as nossas instituições fossem outras e que o Centrão fosse outro, mas a gente tem isso. Um governo de direita tem uma facilidade que o presidente Lula não tem. Ele tem um Congresso ideologicamente próximo a ele”, afirmou, durante debate promovido pelo Estadão, para discutir caminhos para o próximo mandato presidencial. “Perdemos uma oportunidade com o governo de Jair Bolsonaro de ter um governo de direita de boa qualidade.”Economista Samuel Pessôa, pesquisador do FGV Ibre Foto: Felipe Rau/EstadãoPUBLICIDADEPor isso, a preocupação maior em um possível governo de Flávio Bolsonaro, para o economista, estaria menos na equipe econômica que seria escolhida, mas no desenho da coalizão e como vai ser a relação entre os Poderes Executivo e Legislativo. “Ele aprendeu que o pai fez tudo errado? Ou não?”, perguntou.Pessôa defende que o governo anterior perdeu a chance de promover parcerias entre o setor privado e público na educação, algo que as esquerdas não defendem. Também participante do debate, Eduardo Giannetti, economista, filósofo e integrante da Academia Brasileira de Letras, também considera que a questão ambiental foi administrada tragicamente pelo governo Bolsonaro. Leia tambémÉ preciso restabelecer as atribuições legítimas de cada Poder no País, defendem Giannetti e PessôaBrasil entra em período de vulnerabilidade, com baixo crescimento e inflação, dizem Lisboa e SolangeJá na área econômica, entre as principais falhas, ele cita a não aprovação da reforma tributária, a entrega de fatias ainda maiores do Orçamento ao Congresso e a perpetuação do Auxílio Emergencial, que, segundo ele, resultou em “uma política populista e eleitoreira desastrosa”.Pessôa defende, no entanto, que a gestão econômica do ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, não foi ruim. Segundo ele, o Brasil teve uma recuperação mais rápida da pandemia do que outros países da região e também apresentou melhora nas contas fiscais.Vale ler tambémPor que a alta renda não está compensando a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil?GFS amplia capacidade com fábrica de R$ 55 miNem tudo são flores nessa vertiginosa massificação da IA; há riscos e questões imprevisíveisPublicidade
Perdemos uma oportunidade com Bolsonaro de um governo de direita de boa qualidade, diz Samuel Pêssoa
Economista participou de debate promovido pelo ‘Estadão’ sobre os desafios e sugestões para o próximo governo do País









