Eleições 2026

Por Stella Ferreira Gontijo e Diego Matheus de Menezes*

O sentido atribuído à educação e à ciência nos programas de governo ajuda a revelar a concepção de País defendida por cada candidatura. Nesse sentido, apresentaremos algumas considerações sobre o papel conferido à educação superior e às universidades nos programas de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) para as eleições presidenciais de 2026.

Para compreender a importância do lugar conferido às universidades, é importante considerar que os debates sobre suas dimensões social, econômica, política e simbólica acompanham a própria formação dos Estados latino-americanos. No Brasil, a criação tardia das universidades, apenas na década de 1920, contribuiu, segundo José Murilo de Carvalho, para a formação de uma “ilha de letrados”, com impactos profundos na formação social brasileira. Sua existência, contudo, não garante, por si só, autonomia em produção do conhecimento, liberdade de pensamento, produção e reprodução da cultura, ou fortalecimento da democracia. Essa preocupação já estava presente na América Latina quando surgiram as primeiras universidades brasileiras.

No momento em que surgiam as universidades no Brasil, a América Latina vivia um primeiro movimento de interpretação regional a respeito do sentido dessas instituições. A Reforma de Córdoba, protagonizada por estudantes argentinos em 1918, iniciou um movimento transnacional em defesa de uma universidade autônoma, democrática e comprometida com os problemas da região. A partir de 1962, com a criação da UnB e principalmente com a publicação de Universidade necessária (1967), o Brasil se destacou nesta discussão, com a atuação e produção intelectual e política de Darcy Ribeiro.