No ocaso de um governo sem marca, Lula falou demais (62 minutos numa reunião do PT) e disse pouco.

Anunciou cinco compromissos: "resolver definitivamente o papel da educação"; criar um programa para idosos; fortalecer a indústria militar; manter a riqueza das terras raras "para os brasileiros"; programas para a transição energética.

É muito mais do que Flávio Bolsonaro defende, mas é fala de palanque. Dos 5 compromissos, 1, "resolver definitivamente o papel da educação", não quer dizer nada, pois o problema da educação não é de "papel" mal resolvido. Os outros quatro são vagas generalidades. Podem dar certo, errado, ou mesmo em nada.

A Embraer deu certo. Já a fabricação do tanque Osório deu errado. Acabou com a falência da Engesa, queridinha de alguns generais. Dois protótipos foram para museus. (Em 1993, Saddam Hussein, o então ditador do Iraque, disse a um embaixador brasileiro, referindo-se ao dono da empresa: "Diga a ele para não nos oferecer o que não tem". Era a fabricação de uma bomba atômica.)

Lula só fala com a alma improvisando enquanto caminha no palanque. Insultou os advogados ("criminalista não sabe defender inocente, só sabe defender bandido"). Sem os criminalistas, ele não teria passado de ex-dirigente sindical. E, sem o advogado Cristiano Zanin, não teria anulado as sentenças do juiz Sergio Moro. Noutro lance, Lula anunciou que, depois dele, Fernando Haddad será o próximo presidente. Partiu de um pressuposto, provável, de que se reelege pela terceira vez e de outro, apenas possível, de que o ex-ministro da Fazenda ganha em São Paulo.