A cambojana So Raksa, 26, havia acabado de se casar. Comemorava as bodas em casa com o noivo, familiares e amigos quando começou a correria. Um condomínio a cerca de 200 metros de onde morava, na cidade de Poipet, no Camboja, era alvo de uma operação policial. "Foi surpreendente porque eram muitos", conta.
Entre os imóveis havia apenas um campo de grama baixa, onde homens e mulheres de diversas nacionalidades disparavam a correr. Eles fugiam de um complexo de golpes, local onde quadrilhas mantêm presas pessoas atraídas com promessa de trabalho bem remunerado mas que, ao chegar, se veem vítimas de tráfico humano e são obrigadas a aplicar golpes eletrônicos.
A mãe, Hoeung Heab, 44, afirma que eles tinham sinais de agressões. "Alguns deles tinham o olho roxo, os braços e as pernas machucados", diz ela, que já havia entrado no local para entregar galões de água, uma das fontes de renda da família. "Os chefes eram violentos, estavam espancando pessoas do lado de dentro."
Os prédios em questão eram os mesmos que já haviam aliciado brasileiros. João (nome fictício), 25, passou algumas horas pelo local antes de ser levado para outro complexo. "Eles fazem uma proposta de US$ 4.000 [cerca de R$ 20 mil], 12 horas de trabalho, folga aos domingos e um ano de contrato", diz ele, referindo-se aos anúncios usados para atrair vítimas.







