Nos últimos 20 anos, julho foi o melhor mês para o S&P 500, com retorno médio de 2,44%. Setembro, ao contrário, apresentou queda média de 0,50%. Se você soubesse disso antes de investir, faria sentido comprar em junho e vender antes de setembro? Se alguns comportamentos se repetem, o calendário poderia ajudar a escolher quando entrar e sair da Bolsa.

Essa ideia é conhecida como sazonalidade, e os números mostram que ela existe. No Brasil, por exemplo, o Ibovespa apresentou retorno médio de 2,83% em abril e de 2,32% em julho nos últimos 20 anos. Maio e junho, por outro lado, tiveram médias negativas de 0,98% e 0,42%. Olhando apenas esses números, parece tentador antecipar compras nos meses historicamente melhores e reduzir posições antes dos piores.

A tentativa de explorar o calendário não é nova. Uma das estratégias sazonais mais conhecidas de Wall Street foi resumida na expressão "Sell in May and go away". A ideia era reduzir a exposição às ações entre maio e setembro, período historicamente mais fraco, e retornar para os meses mais favoráveis entre outubro e abril.

O curioso é que esse padrão perdeu força. Entre 2016 e 2025, o S&P 500 apresentou retorno médio mensal de cerca de 1,25% entre maio e setembro, ante aproximadamente 1% entre outubro e abril. Justamente o período em que o investidor deveria "ir embora" acabou apresentando retorno médio ligeiramente superior.