A partir do dia 26 de outubro, uma incerteza deve desaparecer. Mas outra talvez ainda mais importante começa a ser precificada. Até o fim do segundo turno da eleição, o mercado tentava descobrir quem governaria. A partir dali, precisa descobrir como o vencedor governará.

Resolvi testar se essa mudança de incerteza deixou alguma marca no comportamento de nossa Bolsa no passado.

Para isso, observei aproximadamente os cinco meses entre o resultado da eleição, no fim de outubro, e o último pregão de março do ano seguinte. Dividi esse período em duas partes.

A primeira compreende novembro e dezembro, quando o presidente eleito anuncia nomes, negocia apoio e começa a revelar suas prioridades. A segunda vai de janeiro a março, quando o governo toma posse e decisões começam a substituir promessas.

A primeira descoberta aparece ainda antes da posse. Desde o Plano Real, excluído 1998, novembro e dezembro dos anos eleitorais produziram retorno médio praticamente nulo para o Ibovespa. Nos demais anos, esses dois meses foram historicamente muito mais favoráveis.