Existe um mito na política brasileira. A Câmara dos Deputados, eleita pelo sistema proporcional, seria um retrato mais fiel do Brasil. Já o Senado, onde há poucas vagas e vence quem tem mais votos, seria um clube fechado, reservado a quem já tem dinheiro e nome feito na política. Uma pesquisa do INCT ReDem testou essa ideia com dados de sete eleições, e o resultado contraria o que normalmente se espera.
O estudo olhou a profissão declarada por quase 3.900 deputados e senadores eleitos entre 1998 e 2022. Profissão não é a mesma coisa que classe social, mas funciona como uma aproximação razoável, ainda que imperfeita, da posição social de cada eleito. Não é um levantamento sobre renda, raça ou gênero. O que se mede é a variedade de profissões entre quem se elege, e o quanto essas profissões se repetem ou se espalham pelo universo de representantes.
Como a Câmara elege mais de 500 pessoas por eleição e o Senado, só 27 ou 54, simplesmente comparar as duas Casas não funcionaria. É como comparar uma floresta grande com um pequeno jardim. A floresta sempre vai ter mais espécies, só por ser maior. Isso não prova que ela seja um ambiente mais diverso socialmente, só maior. Para corrigir essa distorção, simulei, milhares de vezes, Câmaras do mesmo tamanho do Senado, e comparei a mistura de profissões desses grupos menores com a do Senado real.









