Aos 66 anos, o engenheiro Miguel Díaz-Canel comanda Cuba no momento mais crucial de sua história, em que até mesmo a capacidade de sobrevivência da ilha como nação autônoma é considerada sob ameaça.

Sob bloqueio implacável do governo do norte-americano Donald Trump, que desde maio impede a entrada de combustível e insumos no país, os cubanos enfrentam situações extremas em que faltam luz, água, transporte, alimentos e remédios. O lixo, nas ruas, fica por dias sem ser recolhido.

Para tentar contornar o cerco, o parlamento de Cuba aprovou há dois meses um pacote de reformas econômicas apresentado pelo governo com 176 medidas que abrem espaço para o setor privado de forma inédita —e impensável há poucos anos.

Empresários privados estão autorizados a ter mais de dois negócios, com mais de cem empregados, o que possibilita o surgimento de conglomerados. Ações poderão ser negociadas livremente. Companhias estrangeiras poderão explorar a terra por até 99 anos, em sistema de usufruto.

Canel, que desde que assumiu o governo viu o PIB do país encolher 15% depois de sucessivas crises (entre elas, o fim da pareceria energética com a Venezuela e a Covid-19), afirma que as reformas não vão trazer o capitalismo e volta a Cuba.