Decisão de Tribunal Federal considera ilegal proibição imposta a imigrantes do Brasil e outras nações 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Manifestantes protestam em Nova York contra a política de perseguição de imigrantes perpetrada pelo governo de Donald Trump — Foto: SPENCER PLATT/AFP Um Tribunal Federal dos Estados Unidos anulou a proibição do governo de emitir vistos para imigrantes de 75 países. A decisão é um golpe na política contra a imigração do presidente Donald Trump. Entre os 75 países estão Brasil, Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen. A juíza Jeannette Vargas considerou que a suspensão de vistos, imposta em 21 de janeiro, viola a lei e excede a autoridade legal do Secretário de Estado, Marco Rubio. Em uma decisão de 61 páginas, a juíza Vargas, do Tribunal Federal de Nova York, contestou a justificativa pública do governo para a política, classificada pela Casa Branca como uma “pausa”. O governo, porém, pode recorrer da decisão judicial. A Casa Branca alega que os imigrantes dos países-alvo provavelmente utilizariam benefícios públicos e se tornariam “um fardo financeiro para os americanos”. Na verdade, constatou a juíza Vargas, as autoridades dos EUA receberam ordens para recusar vistos a imigrantes elegíveis que provavelmente seriam autossuficientes, em violação a um estatuto que exige avaliações individualizadas. Um telegrama interno do Departamento de Estado tornado público como prova no caso instruía os agentes consulares a negar os vistos mesmo quando os requerentes apresentassem “provas adicionais que demonstrassem que ele ou ela superava a recusa por encargos públicos”. Perseguição de imigrantes Desde o seu retorno ao poder, Trump tem priorizado a luta contra a imigração ilegal, realizando deportações em massa de imigrantes indocumentados, mas também tem restringido significativamente a entrada legal de estrangeiros. No entanto, várias de suas medidas mais emblemáticas foram anuladas pelos tribunais. No início de junho, um juiz federal anulou a taxa de US$ 100.000 para os vistos de trabalho, comumente utilizados no setor tecnológico. No final de junho, a Suprema Corte anulou um decreto emitido por Trump no primeiro dia de seu segundo mandato que eliminava a cidadania por direito de nascimento para os filhos de imigrantes indocumentados, com o objetivo de acabar com o que ele considerava um incentivo para a imigração ilegal. A maioria dos 75 países da lista do Departamento de Estado não é europeia e possui populações não brancas significativas. Eles se estendem pela África, América Latina, Caribe, Europa Oriental, Sudeste Asiático e Oriente Médio, incluindo vários aliados dos EUA, como Jordânia e Egito. Pedidos poderão ser revistos A decisão da juíza Vargas também reverte qualquer negação de visto que tenha sido baseada exclusivamente na política, que entrou em vigor em janeiro. Isso levanta a possibilidade de que milhares de pedidos de visto antigos precisem ser revistos. Entre os autores do processo estão seis cidadãos americanos que afirmam que a proibição do governo impediu que seus parentes em Gana, Jamaica, Guatemala e Etiópia recebessem vistos para viajar para os Estados Unidos. Outros autores são cinco profissionais da Colômbia — incluindo um engenheiro, um arquiteto e um endocrinologista formado na Universidade de Harvard — que receberam notificações de que seus pedidos de visto haviam sido negados, fazendo referência à nova política do governo Trump. Em 2018, durante o primeiro mandato do presidente Trump, a Suprema Corte manteve a terceira versão de sua proibição de viagens, que restringia a entrada nos Estados Unidos de cidadãos estrangeiros de vários países de maioria muçulmana. Mas aquela decisão anterior manteve o amplo poder do presidente para limitar a entrada no país, não a emissão de vistos, escreveu a juíza Vargas. A decisão de sexta-feira foi elogiada por Joanna Cuevas Ingram, advogada sênior do National Immigration Law Center, um dos grupos sem fins lucrativos e escritórios de advocacia privados que representam os autores da ação. “A decisão de hoje é uma vitória significativa para as centenas de milhares de famílias em todo o mundo cujas vidas foram lançadas no caos por esta proibição de vistos ilegal e discriminatória deste governo”, disse ela em um comunicado. Nem o Departamento de Justiça nem a Casa Branca responderam imediatamente aos pedidos de comentários. O governo poderá recorrer da decisão da juíza Vargas, que foi nomeada pelo presidente Joe Biden.
Juíza anula decisão de Trump que suspendia vistos para 75 países
Decisão de Tribunal Federal considera ilegal proibição imposta a imigrantes do Brasil e outras nações












