O bom desempenho das taxas seguiu a tendência amplamente positiva dos mercados locais em meio à percepção de que se acirrou a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro para as eleições de outubro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Juros futuros têm forte queda com foco no quadro eleitoral — Foto: Declan Sun/Unsplash Os juros futuros anotaram um recuo significativo no pregão desta sexta-feira (21), puxado por uma queima de prêmios de risco que beneficiou, em especial, a ponta longa da curva a termo. O bom desempenho das taxas seguiu a tendência amplamente positiva dos mercados locais em meio à percepção de que se acirrou a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para as eleições presidenciais de outubro. Com isso, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 cedeu de 13,725%, do ajuste da véspera, para 13,705%, no ajuste de hoje. Na mesma comparação, a taxa do contrato de DI de janeiro de 2028 recuou de 13,94% a 13,855%; a do DI de janeiro de 2029 baixou de 14,275% para 14,145% e a do DI de janeiro de 2031 anotou queda de 14,59% a 14,40%. O movimento da renda fixa doméstica se sustentou mesmo sem apoio do mercado de Treasuries nos Estados Unidos, cujas taxas voltaram a subir, estendendo o estresse de ontem mesmo depois de o Departamento do Tesouro aumentar o limite de operações de recompra de títulos de longo prazo. Na reta final do pregão em Nova York, a taxa da T-note de dez anos subia de 4,706% a 4,736% e a do T-bond de 30 anos avançava de 5,251% para 5,275%. Embora o ambiente externo não tenha sido de todo desfavorável para a renda fixa doméstica diante da fraqueza generalizada do dólar, o fator local foi o que puxou a forte queima de prêmios de risco da curva a termo nesta sessão. A notícia de que o ministro do STF, André Mendonça, ordenou à Polícia Federal apurar vazamentos de arquivos do inquérito que investiga o filho do presidente Lula - o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha - e a visão de que Flávio Bolsonaro tem demonstrado uma melhora nas pesquisas de intenção de voto alimentaram a percepção de que o pleito será acirrado e pode resultar em uma mudança de governo e, portanto, da política econômica, a partir de 2027. “Acho que os últimos dias foram piores pelos leilões do Tesouro Nacional e do exterior pressionado, mas a percepção de atividade fraca no Brasil está engrossando e o Flávio melhorou um pouco nas pesquisas”, destaca um gestor de uma importante casa da Faria Lima, sob condição de anonimato. “É uma campanha curta e as notícias estão piores para o Lula.” Nesse sentido, o mercado operou ao longo do dia com a expectativa de que a pesquisa Datafolha que será divulgada às 18h, após o término das negociações, trará números que reforcem a sensação de que o senador aumentou as suas chances de vencer a corrida presidencial em outubro. Para além da questão eleitoral, outro operador comenta que a forte valorização do real sobre o dólar também ajudou a renda fixa local. Hoje, a moeda brasileira se consolidou como a de melhor desempenho dentre as 33 divisas mais líquidas acompanhadas pelo Valor. O profissional também destaca que a liquidez nos mercados de juros esteve menor do que o usual, o que tende a amplificar os movimentos e a volatilidade das taxas. Se, por um lado, as taxas futuras dos DIs operaram em forte queda durante todo o pregão, os juros reais das NTN-Bs (os títulos da dívida pública atrelados à inflação) pouco se movimentaram e rondaram a estabilidade. O movimento vai na contramão do que foi observado na semana como um todo, mas principalmente ontem, quando os juros futuros subiram e as taxas reais exibiram forte queda em praticamente todos os vencimentos. Segundo o gestor de renda fixa citado anteriormente, em dias nos quais os juros futuros recuarem, a tendência é que o mercado de NTN-Bs não acompanhe os DIs, de forma a baixar as medidas de inflação implícita, extraídas da diferença entre os juros futuros e reais. Nos últimos dias, um fluxo relevante por conta do vencimento de NTN-Bs com prazo de 2026 derrubou as taxas dos papéis atrelados ao IPCA, gerando um aumento expressivo da inflação implícita. Para este profissional, a percepção de que a atividade está enfraquecendo e que a inflação deve ser menor no curto prazo devem sustentar uma correção deste movimento recente.