Movimento no mercado de renda fixa local destoa da pressão observada nas curvas de juros de economias desenvolvidas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Juros futuros têm forte queda com apoio de quadro eleitoral e desaceleração do PIB — Foto: RDNE/Pexels Os juros futuros exibem queda firme nesta terça-feira (1), movimento que destoa da pressão observada nas curvas de juros de economias desenvolvidas. O descolamento do mercado local de renda fixa em relação ao exterior se dá, principalmente, pela perspectiva de uma eleição presidencial mais acirrada em outubro, com maior chance de alternância de governo e, portanto, de mudança da política econômica a partir de 2027. Além disso, a desaceleração do PIB brasileiro no segundo trimestre abre espaço para o mercado especular sobre um ciclo de cortes da Selic mais extenso. Por volta de 13h30, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 tinha queda de 13,61%, do ajuste anterior, para 13,585%; a do DI de janeiro de 2028 recuava de 13,815% a 13,76%; a do DI de janeiro de 2029 cedia de 14,19% para 14,11%; e a do DI de janeiro de 2031 anotava forte baixa de 14,50% a 14,39%. Nos Estados Unidos, a taxa da T-note de dez anos subia de 4,756% a 4,790% - melhorando em relação à máxima intradiária de 4,802%, após resultados mais fracos que o esperado do relatório Jolts de julho e do PMI industrial do ISM de agosto. No início do pregão no Brasil, o ambiente externo de aversão a risco e pressão sobre a renda fixa influenciou o desempenho das taxas e provocou uma pequena inclinação da estrutura a termo da curva de juros futuros. O movimento foi drasticamente revertido à medida que os investidores passaram a colocar nos preços a expectativa por uma eleição mais acirrada no mês que vem. Pesquisas recentes de intenção de voto têm mostrado um estreitamento da vantagem do presidente Lula (PT) em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal candidato da oposição. Além disso, operadores citaram notícias que aprofundam o suposto envolvimento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — o que, na visão do mercado, favorece candidaturas de oposição. “O mercado está melhorando bastante pelo ambiente local, diante de eleições mais apertadas e um quadro mais favorável ao Flávio”, diz um integrante da tesouraria de um banco local. “O problema vem sendo o exterior, mas, agora, o mercado local está conseguindo se descolar um pouco.” Este mesmo operador comenta que os resultados do PIB do segundo trimestre ajudaram a reforçar a queda dos juros futuros. Embora a alta de 0,5% tenha superado ligeiramente a expectativa do mercado, o número foi puxado pelo desempenho surpreendente dos setores agropecuário e industrial, menos ligados à demanda e, portanto, que sofrem menos influência da política monetária do Banco Central. Sendo assim, o dado alimentou a percepção de uma economia brasileira em desaceleração e deu força à visão de que o Comitê de Política Monetária (Copom) terá espaço para além da sua próxima reunião, em 16 de setembro, para seguir cortando a Selic. A expectativa de um BC menos conservador fez o Deutsche Bank alterar o seu cenário-base, que incluía uma pausa do ciclo de cortes com a Selic em 14%, a fim de incluir mais uma redução de 0,25 ponto percentual, a 13,75%. Para a equipe liderada por Francisco Campos, economista-chefe para América Latina do banco, a flexibilização monetária além de setembro dependerá amplamente da volatilidade provocada pelo período eleitoral. Pensando nesse quadro, o Deutsche Bank mantém a sua aposta em uma inclinação da curva de juros futuros. A estratégia “provê uma visão clara da leitura de que a ponta longa da curva provavelmente permanecerá sob pressão à medida que a incerteza política ganha cada vez mais destaque, enquanto os juros intermediários podem continuar a reajustar os preços em função de uma postura menos ‘hawkish’ do BC, já que os dados continuam indicando um crescimento mais fraco e uma dinâmica de inflação que melhora gradualmente”, diz o relatório do banco.
Juros futuros têm forte queda com apoio de quadro eleitoral e desaceleração do PIB
Movimento no mercado de renda fixa local destoa da pressão observada nas curvas de juros de economias desenvolvidas






