O movimento ocorreu em meio a um contexto de diminuição da exposição dos investidores a ativos brasileiros 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Juros futuros não sustentam alívio e sobem, em linha com tendência local — Foto: Gerd Altmann/Pixabay Os juros futuros encerraram o pregão desta quinta-feira (13) em alta, após uma virada do mercado de renda fixa que afetou especialmente os vértices de longo prazo da curva a termo. Segundo operadores, não houve um gatilho específico que puxou a piora, que ocorreu em meio a um contexto de diminuição da exposição dos investidores a ativos brasileiros. Com isso, as taxas abandonaram o movimento positivo que se sustentava até o período da tarde e passaram a subir, alinhadas com a dinâmica negativa do câmbio e da bolsa locais. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 se manteve estável a 13,75%; a do DI de janeiro de 2028 teve leve queda de 13,92%, do ajuste anterior, a 13,915%; a do DI de janeiro de 2029 subiu de 14,225% a 14,245% e a do DI de janeiro de 2031 avançou de 14,455% para 14,53%. Nos Estados Unidos, as taxas dos Treasuries se mantiveram em queda durante toda a sessão: ao fim da tarde, o rendimento da T-note de dois anos caiu de 4,207% a 4,157%, enquanto o da T-note de dez anos cedeu de 4,690% para 4,653%. Durante boa parte da sessão, os juros futuros oscilavam entre a estabilidade e leve queda com o apoio de um pregão ameno no exterior, após dados de inflação ao produtor (PPI) abaixo do esperado nos EUA e um recuo firme dos preços do petróleo, que chegaram a tombar quase 4% no mercado futuro. No entanto, no período da tarde, a renda fixa se descolou do movimento dos Treasuries, embora mais para o fim do pregão as taxas de curto prazo tenham voltado a operar perto da estabilidade ou com viés de queda. Sem uma movimentação similar do Ibovespa e do dólar comercial, participantes do mercado creditaram a piora dos DIs a um provável fluxo tomador (que aposta na alta das taxas) que acabou por afetar a formação de preços na renda fixa. “Foi o terceiro dia com essa dinâmica. Parece que tem investidores estrangeiros reduzindo a exposição ao Brasil”, relata o integrante da tesouraria de um banco local. De fato, conforme mostrou a reportagem do Valor ao longo da semana, um amplo estresse dos ativos brasileiros coincidiu com uma saída de recursos do exterior da B3, algo que também foi observado no comportamento de agentes locais no mercado de câmbio. “O desempenho ruim da bolsa e do real em relação a pares está afetando o mercado de juros prefixados, que começa negociando bem, mas não se sustenta”, diz este mesmo operador. Apesar do estresse dos últimos dias ter provocado um avanço relevante do dólar sobre o real, os investidores seguem firmes com a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central irá cortar a taxa Selic novamente em 0,25 ponto percentual na sua decisão de setembro, o que levaria o juro básico a 13,75%. Além disso, a chance de mais uma redução em novembro segue relevante, com 34% de probabilidade precificada no mercado de opções digitais de Copom - contra 50% de chance para manutenção da Selic. De olho no que deve ser um período de inflação mais baixa nos próximos meses, a equipe de economistas do Citi Brasil liderada pelo economista-chefe, Leonardo Porto, reduziu a sua projeção para a Selic no fim de 2026 a 13,75%. Antes da reunião do Copom na semana passada em que o colegiado cortou o juro básico a 14%, o banco não esperava mais nenhuma flexibilização monetária e uma Selic de 14,25% no fim do ano. Para Porto, a comunicação recente do Copom deu mais importância à desaceleração recente da inflação do que à deterioração adicional das expectativas. “Considerando os baixos índices de inflação previstos e as expectativas de inflação de médio a longo prazo relativamente estáveis nas próximas semanas, acreditamos que uma nova redução da taxa de juros de 0,25 ponto, para 13,75%, seja agora a decisão mais provável em 16 de setembro”, diz o relatório enviado nesta quinta-feira. Depois disso, o banco espera uma pausa do ciclo de cortes, que pode ser retomado na segunda metade de 2027 diante de uma política fiscal mais “fortalecida”. No momento, o cenário-base do Citi contempla uma Selic de 12,75% no fim do ano que vem.
Juros futuros não sustentam alívio e sobem, em linha com tendência local
O movimento ocorreu em meio a um contexto de diminuição da exposição dos investidores a ativos brasileiros






