Mercado coloca no preço uma chance maior de alternância de governo e de mudança de política econômica, e taxas de longo prazo caem em torno de 20 pontos-base 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Juros futuros têm forte queda após Quaest reforçar perspectiva de eleição apertada — Foto: RDNE/Pexels Os juros futuros despencam no pregão desta quarta-feira (2) diante de mais uma forte queima de prêmios por conta do quadro eleitoral. A pesquisa da Quaest divulgada pela manhã reforçou a percepção de que a disputa à presidência entre o incumbente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) será acirrada. Com isso, o mercado coloca no preço uma chance maior de alternância de governo — e, portanto, de mudança da política econômica — a partir de 2027, e as taxas de longo prazo caem em torno de 20 pontos-base (0,2 ponto percentual). Além disso, os desdobramentos do caso Master voltam a influenciar os negócios, já que a suposta relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes é lida pelo mercado como um fator que também favorece candidaturas de oposição ao governo Lula. Neste contexto, por volta de 13h20, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 anotava leve baixa de 13,585%, do ajuste da véspera, para 13,565%; a do DI de janeiro de 2028 cedia de 13,75% a 13,645%; a do DI de janeiro de 2029 recuava de 14,115% para 13,945%; e a do DI de janeiro de 2031 despencava de 14,405% a 14,195%. A forte reprecificação das taxas por conta do noticiário político é algo que ocorre desde o início da semana, quando pesquisas eleitorais já indicavam um estreitamento das intenções de voto em Lula em relação a Flávio Bolsonaro, principal candidato da oposição. Esse movimento, contudo, se intensificou hoje após o levantamento da Quaest mostrar que os candidatos estão separados por apenas um ponto percentual em um eventual segundo turno (42% para o petista e 41% para o senador). A diferença os coloca em empate técnico, já que a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais. Assim como ocorreu ontem, o rali na renda fixa local ocorre mesmo sem o apoio dos mercados globais de juros, que seguem pressionados. No horário citado anteriormente, a taxa da T-note americana de dez anos subia de 4,797% a 4,808%, após tocar 4,821% na máxima intradiária, maior nível em quase 3 anos. “Temos uma firme convicção de que o recente movimento aplicador (que aposta na queda das taxas) é impulsionado predominantemente por fatores locais, sabendo que os investidores estrangeiros estão agora com posições relativamente reduzidas, após terem assumido quase US$ 3 milhões em DV01 (métrica de risco do mercado) nos últimos dois meses”, diz um profissional da tesouraria de um importante banco local, em condição de anonimato. Apesar do rali, ele diz que ainda prefere posições aplicadas nos juros prefixados, e destaca ainda que há prêmios a serem aproveitados nos juros reais das NTN-Bs, que ainda apontam para uma inflação implícita acima de 5%, “o que parece exagerado comparado à precificação para a política monetária”, apesar dos riscos inflacionários ligados ao El Niño, ao petróleo e aos preços de alimentos. Com o mercado focado no noticiário político, o resultado da produção industrial do Brasil — que mostrou alta de 0,2% entre junho e julho, abaixo da expectativa de 0,5% — ficou em segundo plano. Ainda assim, o dado corrobora a leitura de uma atividade em desaceleração, o que pode dar mais tração para o mercado precificar uma Selic mais baixa no curto prazo. No mercado de opções digitais de Copom, a perspectiva de mais dois cortes de 0,25 ponto percentual da Selic, em setembro e novembro, passou a ser o cenário-base do mercado. Além disso, já há alguma precificação a favor da aceleração do ritmo dos cortes de juros, de 0,25 para 0,5 ponto percentual ainda este ano — este cenário, porém, ainda é bastante improvável na visão do mercado.