Há pouco, Lula disse que a direita utiliza a corrupção para atacar a democracia. É uma verdade antiga, mas admite exceções. A campanha de Bolsonaro teme os desdobramentos do episódio do suposto financiamento do Dark Horse por Vorcaro e só falará de Lulinha para compensar seu próprio esqueleto no armário. Numa democracia normal, o caso teria derrubado uma candidatura presidencial. Por aqui, pouco desgastou a posição de Flávio nas pesquisas. Os eleitores dele normalizaram a corrupção?
"Quem nunca pediu um empréstimo a um amigo?", indagou um cínico Lula diante da notícia do fluxo de dinheiro alto de Roberta Luchsinger a Marcola. A frase certa seria outra: "por que, entre tantos amigos, o chefe de gabinete presidencial pede dinheiro a uma lobista envolvida com o INSS e o Ministério da Saúde?". Ou, noutra versão, "qual lobista negaria favores pecuniários ao funcionário que trabalha na sala contígua à do presidente?". O presidente sugere legitimar a corrupção para proteger a democracia?
A PF sabe investigar –e, às vezes, celeremente. Nem sempre: o inquérito sobre os milionários repasses de Vorcaro a Flávio, alegadamente para o filme hagiográfico, ainda não produziu frutos públicos. André Mendonça, o relator, permitirá que o sigilo judicial oculte o tema até as eleições? A carência de informação serve à democracia?







