0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O juiz Yves Guachala, em sua posse no TJSC — Foto: Divulgação A Comissão de Direitos Humanos da Câmara, por meio da deputada Alice Portugal (PCdoB da Bahia), pediu uma audiência com o ministro Luís Felipe Salomão, do STJ, para tratar do caso do juiz indígena Yves Luan Guachala, afastado em abril do Tribunal de Justiça de Santa Catarina após ter suas condutas questionadas e ser associado ao tráfico sem provas materiais. Guachala, que ingressou na magistratura pelo sistema de cotas para indígenas e atuava na comarca de Catanduvas (SC), responde a processo disciplinar instaurado pela Corregedoria do TJ-SC por supostas irregularidades administrativas e relatos de servidores sobre sua atuação. Todos os contrapontos de Guachala às denúncias da Corregedoria foram apresentados por ele à Polícia Federal, que enviou o caso ao STJ. Segundo o juiz, porém, o tribunal negou a investigação. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) afirma que o magistrado foi vítima de perseguição etno-ideológica por sua origem indígena e pelo teor de decisões tomadas na comarca. O caso também já havia sido alvo de questionamentos da Educafro, que apontou a reprodução de estereótipos raciais no processo disciplinar, inclusive em referências à aparência física, ao modo de vestir, ao local de residência e aos hábitos pessoais do juiz. A entidade pediu a revisão do caso e um posicionamento do CNJ, que ainda não se manifestou. Agora, a Comissão de Direitos Humanos informa que pretende levar à audiência representantes do Ministério Público Federal, do Ministério dos Povos Indígenas e da Apib, e ressalta que a audiência não pretende reabrir o julgamento, visto que uma tentativa anterior de rever a decisão, por meio de recurso apresentado ao STJ, já foi rejeitada. A ideia é discutir os aspectos institucionais e de direitos humanos do caso.