Quando a California Film Commission anunciou a destinação de US$ 193 milhões (R$ 978 milhões) em créditos tributários para 38 produções audiovisuais, o objetivo ia muito além de incentivar novos filmes. A medida buscou manter empregos, atrair investimentos, fortalecer a economia e preservar a competitividade da indústria cinematográfica local.
O episódio é um exemplo entre muitos espalhados pelo mundo de como tratar a cultura como um ativo econômico e social. Essa visão está longe de ser uma exclusividade dos Estados Unidos. Segundo a Unesco, as indústrias culturais e criativas representam 3,1% do PIB mundial, movimentam mais de US$ 2 trilhões (R$ 10 trilhões) por ano e geram cerca de 50 milhões de empregos, empregando mais jovens entre 15 e 29 anos do que qualquer outro setor da economia.
A criatividade deixou de ser apenas expressão artística para se tornar um importante vetor de desenvolvimento, inovação e competitividade. No Brasil, entretanto, o debate sobre incentivos fiscais à cultura ainda costuma ser cercado de desinformação.
A Lei Rouanet, criada em 1991, frequentemente é apresentada como uma exceção ou um privilégio brasileiro, quando, na realidade, faz parte de um modelo amplamente adotado em diversas economias desenvolvidas.








