No restaurante taiwanês, bar opera sofisticada sintonia com a cozinha autoral e contemporânea de Caio Yokota e Victor Valadão 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Aiô: vieiras cruas com pipoca de arroz e pérolas de tapioca e drinque tostado — Foto: Keiny Andrade Caio Yokota quase virou engenheiro de alimentos. Victor Valadão abandonou o curso de Direito para cozinhar. Maurício Barbosa começou a carreira lavando copos em uma balada e tornou-se bartender por acaso. Caminhos improváveis hoje se cruzam num dos restaurantes mais originais da cidade. Em 2026, o taiwanês Aiô foi eleito o melhor asiático de São Paulo e também o restaurante com os melhores drinques pelo SP Gastronomia. À frente da cozinha, Yokota e Valadão fogem do exotismo fácil. A dupla escolheu trilhar um cuidadoso caminho marcado por pesquisas e viagens por Taiwan para construir uma cozinha autoral que respeita a tradição sem reproduzi-la à risca. O resultado são pratos que preservam sabores e técnicas da ilha, mas dialogam com ingredientes brasileiros em execução contemporânea. As vieiras cruas chegam envoltas em um ponzu cítrico, levemente defumado e apimentado, com pipoca de arroz e pérolas de tapioca, textura mastigável cultuada em Taiwan (R$ 28). O fish toast transforma a tradicional massa taiwanesa de peixe num sanduíche frito e crocante (R$ 49). A clássica salada de tomates ganhou novas camadas desde a inauguração, com purê e crocante de moyashi, garum, vinagre escuro taiwanês, chili oil de macadâmia e um delicado bolo de tomate (R$ 55). O bolo de nabo (R$ 49) é outro clássico: incorpora cogumelos, maionese de pimenta-de-cheiro tostada e cogumelo orelha-de-pau, acumulando o que os chefs chamam de “andares” de sabor. No bar, Maurício Barbosa opera sofisticada sintonia com a cozinha. A carta incorpora ingredientes, técnicas e referências taiwanesas para criar drinques de enorme precisão e teor alcoólico equilibrado. O haohe (R$ 60) evoca os mercados noturnos de Taiwan ao combinar manga madura, gim, vinho branco, licor de ervas e manjericão fresco em um coquetel levemente carbonatado. O ume-ju (R$ 52) exige preparação paciente: a ameixa verde permanece dez meses em infusão para dar origem ao umeshu da casa, que depois é combinado a caju clarificado, jerez fino e uma tintura de pimenta sichuan, equilibrando notas frutadas, vínicas e de especiarias. Drinques sem álcool recebem o mesmo rigor. No abelha sedenta (R$ 30), cajuína infusionada com nibs de cacau, limão, shoyu e um destilado botânico sem álcool produzem resultado surpreendentemente complexo. O Aiô prefere investigar Taiwan por diferentes caminhos. A cozinha evita caricaturas, o bar amplia esse repertório nas criações líquidas e ambos constroem um passeio que faz referência à tradição por meio de um caminho moderno e inovador. Aiô: Rua Áurea 307, Vila Mariana (5083-4778). Ter. a sáb, das 19h às 23h.