0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Porta-aviões da China navega perto de Taiwan em tempos de ameaças renovadas de tomar a ilha à força — Foto: Reuters/Arquivo A China está restringindo ou atrasando as exportações de materiais ópticos e aeroespaciais fundamentais para Taiwan, criando gargalos problemáticos na cadeia de suprimentos para indústrias dessa importante economia tecnológica asiática, apurou o “Nikkei Asia”. Alguns fabricantes de tecnologia óptica enfrentaram atrasos e obstáculos significativos para obter materiais de fornecedores chineses devido a inspeções alfandegárias prolongadas desde o ano passado, disseram ao “Nikkei Asia” fontes com conhecimento direto do assunto. "É um problema que afeta todo o setor. Muitos dos meus colegas enfrentaram o mesmo problema, e isso pode prolongar significativamente os prazos de entrega em nossos negócios", disse um executivo da indústria óptica, pedindo anonimato por medo de represálias de Pequim. O executivo afirmou que as exportações de materiais à base de germânio e quartzo têm enfrentado dificuldades para passar pela alfândega chinesa. O germânio é um material crítico para lentes infravermelhas usadas em imagens térmicas e outras aplicações industriais e de defesa. É também um dos principais materiais utilizados em fibra óptica e fotônica. O quartzo, por sua vez, é indispensável para componentes ópticos, fabricação de semicondutores e outras aplicações tecnológicas. A China é uma fornecedora global dominante desses materiais e já utilizou anteriormente seu controle sobre esses suprimentos em disputas geopolíticas. "Fomos informados de que alguns de nossos fornecedores chineses foram convocados pelas autoridades e questionados sobre seus clientes e remessas", disse a pessoa com conhecimento direto do assunto. "Já perdemos alguns pedidos porque prazos de entrega mais longos para certos materiais significam que não conseguimos cumprir os cronogramas de entrega dos nossos clientes." Um executivo de uma fabricante de equipamentos para chips disse ao “Nikkei Asia” que o prazo de entrega do produto de sua empresa aumentou em meses, pois as restrições da China ao quartzo afetaram a produção geral. "Os requisitos de qualidade e precisão do quartzo são muito rigorosos para a indústria de chips e, atualmente, não temos uma alternativa à China", disse o executivo. As indústrias aeroespaciais enfrentaram desafios semelhantes, com o fornecimento de alguns ímãs permanentes da China tornando-se um gargalo, segundo as fontes. Ímãs permanentes de neodímio, em particular, são cruciais para a construção de motores, incluindo aqueles usados em robótica avançada. "Constatamos que ímãs permanentes essenciais para a fabricação de motores sofreram interrupções devido aos controles de exportação chineses, e não é tão fácil encontrar alternativas com bom custo-benefício em outros lugares", disse ao “Nikkei Asia” um executivo de uma fornecedora do setor aeroespacial. Pequim tem um histórico de utilizar controles de exportação sobre materiais e metais críticos para exercer pressão sobre parceiros comerciais com os quais mantém disputas. Isso levou muitos países, incluindo o Japão e os Estados Unidos, a buscar formas de reduzir sua dependência da China em relação a esses suprimentos. Em dezembro de 2024, a China atualizou sua lista de itens de dupla utilização (civil e militar), que estão sujeitos a controles rigorosos de exportação. Materiais à base de quartzo figuraram entre as inclusões na lista. Pequim também proibiu temporariamente as exportações de germânio e gálio para os Estados Unidos, em retaliação aos controles de exportação impostos pela administração de Joe Biden ao setor de chips da China. Pequim considera Taiwan — uma ilha democrática e autogovernada — parte de seu território e não descarta assumir o controle da ilha pela força. O Ministério de Assuntos Econômicos de Taiwan está apoiando o Instituto de Pesquisa de Tecnologia Industrial (ITRI) no desenvolvimento de tecnologias nacionais relacionadas a terras raras, com o objetivo de concluir uma linha de produção experimental em até três anos para fortalecer a autossuficiência de Taiwan em materiais críticos. A Administração Geral de Alfândegas da China não respondeu ao pedido de comentário feito pelo “Nikkei Asia”.