Estradas sinuosas, névoa baixa, muitas araucárias e taças de vinho recebem o turista que chega à Serra Catarinense —ou, pelo menos, foi como esta turista foi recebida na última semana. Na região de Bom Retiro, a mais ou menos 900 metros de altitude, fica a vinícola Thera, cujos vinhos eram admirados pelas minhas papilas já há algumas safras.
Antes que se falasse na revolução trazida pela técnica da dupla poda e dos vinhos de inverno, era a Serra Catarinense a chamada nova fronteira dos vinhos brasileiros. Surgida como região vitivinícola nos anos 1990, abrigava projetos familiares que nasceram de forma independente, cada um com suas próprias castas e visões. Entre os destaques dessa primeira geração, estão castas italianas, como a sangiovese e a montepulciano, e um pinot noir feito pela Quinta da Neve que impressionou quem o provou. Com eles, ficou claro o potencial para a acidez mais alta.
A história da Thera começa duas décadas depois. O projeto é o segundo da família da Villa Francioni, e chegou com o objetivo de fazer vinhos em menor escala, com mais elegância. Lembrando que, para atingi-la, a acidez é fundamental. Já para ter acidez, o clima frio é uma das receitas.
Como eu já conhecia os vinhos, sabia que eram agradáveis, finos, vivos (olha a acidez aí!), pouco alcoólicos (brancos com 12%, tintos com 13%). Mas na Serra Catarinense, vi de onde vem tudo isso. No verão, por ali, até faz calor, mas nada que ultrapasse os 30ºC. À noite, o termômetro pode baixar a 8ºC, conta o enólogo Átila Zavarize, que está no projeto desde o começo, nos anos 2000.






