Já pensou em tomar um assyrtiko de Brasília? Ou um nebbiolo de São Paulo? Prepare-se que esse dia está chegando. Os chamados vinhos de inverno, feitos a partir da técnica que inverte o ciclo da videira, deixando para colher as uvas na estação mais fria e seca, estão em plena vindima e as vinícolas abrem suas portas para os visitantes.

As expectativas para a safra 2026, cuja colheita ocorre em estados do Sudeste e do Centro-Oeste, além da Bahia, são de crescimento: há 15% mais vinhedos plantados e mais diversidade de variedades. O que começou com a regra de syrah para tintos e sauvignon blanc para brancos, hoje inclui tempranillo, touriga nacional e alvarinho com ótimos resultados no campo. Em pouco tempo, saberemos como se comportam na taça.

"Estamos na fase de entender o terroir de cada região", diz Claudio Góes, CEO da Associação Nacional dos Produtores de Vinhos de Inverno (Anprovin), que é também produtor na região de São Roque, onde faz os vinhos Philosophia. "Aqui, a gente se deu muito bem com a cabernet franc e vemos uma nebbiolo maravilhosa já na primeira colheita", diz.

Difícil é encontrar essa boa diversidade nas prateleiras das capitais. Com a forte concorrência de vinhos do mundo todo e importadoras bem estabelecidas, sobra pouco espaço aos vinhos de inverno nas cartas.