PGR defende que apurações sobre suspeita de tráfico de influência sejam enviadas para primeira instância 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro André Mendonça em sessão plenária do STF — Foto: Gustavo Moreno/STF O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve manter na Corte as investigações que apuram a suposta prática de tráfico de influência por parte do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e conhecido como Lulinha. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que as apurações sejam enviadas para a primeira instância do Judiciário. Segundo o órgão, não há entre os investigados autoridade com foro especial, nem relação com os inquéritos sobre fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Interlocutores de Mendonça criticaram o pedido. Isso porque a PGR se manifestou no mês passado pela distribuição de investigações sobre Lulinha por sorteio no Supremo. “Pelo visto mudaram de ideia”, ironizou uma pessoa próxima ao ministro. Já integrantes da PGR demonstraram desconforto com o vazamento de detalhes das investigações após a divulgação de mensagens trocadas entre Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger, investigada por supostamente atuar junto ao filho de Lula para intermediar negócios junto ao governo. Segundo a PGR, o STF não seria o tribunal competente para processar e julgar os casos, mas sim a Justiça Federal em Brasília. A transferência depende de uma decisão de Mendonça, que é relator dos inquéritos na Corte. No fim de julho, o ministro autorizou a abertura de dois inquéritos relacionados a Lulinha. O primeiro mira a relação do filho do ex-presidente com um empresário que teria buscado negócios na Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). O outro apura a suposta atuação de Lulinha para obter contrato de fornecimento de cannabis medicinal com o Ministério da Saúde. A PF quer saber se Lulinha atuou em favor de uma empresa ligada ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", investigado por suspeita de envolvimento com as fraudes de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nenhuma das tentativas de negócio investigadas foi para a frente. Há ainda um terceiro inquérito envolvendo Lulinha no Supremo que está sob responsabilidade do ministro Flávio Dino para apurar supostos negócios ilícitos no governo federal. Ainda não há informações sobre se a PGR também pediu que esse caso seja enviado à primeira instância. Os três casos estão sob sigilo. O inquérito que está com Dino tem como alvos principais Roberta e o ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola. Lulinha consta na apuração apenas de forma lateral, como mostrou o Valor no começo do mês. O objetivo principal dessa apuração são as transferências de Luchsinger a Marcola e a finalidade da transação. Também, deve ser apurada a suposta atuação para fechar negócios com áreas do governo federal. Há, por fim, um inquérito sob a relatoria de Dino que apura o vazamento de informações sobre as apurações que miram Lulinha. O caso também está em sigilo. O advogado Marco Aurélio Carvalho, que representa Lulinha, afirma que o empresário nunca auxiliou nenhuma empresa a conseguir contratos junto à administração pública. O defensor também critica o vazamento de informações relacionadas aos inquéritos.
André Mendonça deve rejeitar pedido da PGR e manter inquéritos de Lulinha no Supremo
PGR defende que apurações sobre suspeita de tráfico de influência sejam enviadas para primeira instância












