Órgão argumentou que não há autoridades com foro privilegiado envolvidas nos casos e, por isso, o STF não seria o tribunal competente para julgá-los. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que os inquéritos que apuram a suposta prática de tráfico de influência envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conhecido como Lulinha, sejam enviadas para a primeira instância. O órgão argumentou que não há autoridades com foro privilegiado envolvidas nos casos e, por isso, o STF não seria o tribunal competente para julgá-los. A transferência depende de uma decisão de Mendonça, que é relator dos inquéritos na Corte. Além disso, segundo interlocutores da PGR, haveria um desconforto com o vazamento de detalhes das investigações após virem à público mensagens trocadas entre Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger, investigada por supostamente atuar para intermediar negócios junto ao governo. Os dois teriam uma relação próxima de amizade. No fim de julho, o ministro autorizou a abertura de dois inquéritos relacionados a Lulinha. O primeiro mira a relação do filho do ex-presidente com um empresário que teria buscado negócios na Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). O outro apura a atuação de Lulinha na autorização da comercialização de cannabis medicinal em um contrato com o Ministério da Saúde. A PF quer saber se Lulinha atuou em favor de uma empresa ligada ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", investigado por suspeita de envolvimento com as fraudes de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Há ainda um terceiro inquérito envolvendo Lulinha no Supremo que está sob responsabilidade do ministro Flávio Dino para apurar supostos negócios ilícitos no governo federal. Ainda não há informações sobre se a PGR também pediu que esse caso seja enviado à primeira instância. Os três casos estão sob sigilo. Lulinha não é investigado por envolvimento no esquema de descontos indevidos no INSS. Os inquéritos foram autorizados pelo Supremo, a pedido da Polícia Federal (PF), porque os elementos da atuação dele junto a outros órgãos do governo federal surgiram a partir de desdobramentos da Operação Sem Desconto. — Foto: Victor Piemonte/STF - 18/3/2026