Atravessamos a mais perigosa situação geopolítica desde a Segunda Guerra Mundial. O brasileiro, que adora iludir-se, precisa abrir os olhos urgentemente. Quais são as características marcantes desta fase, cujo início remonta à primeira ou segunda década do século XXI? Creio que podemos destacar quatro pontos, dos quais já tratei em artigos e entrevistas anteriores:

A ascensão e consolidação de um mundo multipolar.

O declínio relativo do Ocidente, acelerado por escolhas estratégicas altamente problemáticas dos Estados Unidos, que abriram uma guerra de três frentes, simultaneamente contra a Rússia, a China e o Irã. A isso se acrescentou, desde 2025, uma hostilidade surpreendente para com aliados tradicionais, resultando em fragmentação inédita do bloco ocidental.

A relutância, mais que isso, a recusa terminante do Ocidente de aceitar seu declínio relativo, a ponto de estar disposto a violar todos os princípios, contratos e regras, além de praticar abertamente toda a sorte de violência e pirataria. Os Estados Unidos e aliados mostram-se prontos, como vemos, a realizar operações militares e até mesmo ir à guerra na tentativa de preservar e talvez reverter seu domínio decadente.

Apesar do declínio, o Ocidente, em especial a superpotência Estados Unidos, não devem ser subestimados, pois podem fazer – e fazem – grandes estragos urbi et orbi.