Em 2017, embaraçado, descrevi nesta Folha a desconexão que enxergava entre as proclamações oficiais anunciando que a felicidade e a prosperidade haviam se espraiado pela nação e a banalização da vida de milhões de brasileiros, encurralados e sem chance de desfrutar dos encantos que envolvem a existência humana. O título do artigo: "Brasil, o ocaso de uma nação".

Para compreender essa dissonância e apoiado nas ideias de Daron Acemoglu e James Robinson, aprendi que o progresso de um país depende menos de planos econômicos lustrosos e mais da preservação de instituições robustas, conduzidas por autoridades comprometidas com as aspirações dos seus cidadãos, capazes de favorecer o bem-estar coletivo. Em contraposição, nações regidas por instituições e governantes pervertidos correm o risco de submergir de forma irremediável. Nelas proliferam grupos que, na sua voracidade, concentram a renda e estabelecem relações promíscuas para alimentar a ganância.

Disseminam-se a amoralidade, a corrupção e a desagregação social —e, ao final, as nações derretem; os desvalidos arrastados na frente. Tragédia anunciada por Aristóteles há mais de 2.300 anos: "O homem, quando aperfeiçoado pela virtude, é o melhor dos animais; mas, quando separado da lei e da justiça, é o pior de todos".